Patricia Lages Análise: Mulheres excluídas do esporte feminino em nome da 'inclusão'

Análise: Mulheres excluídas do esporte feminino em nome da 'inclusão'

Nadadora transgênero é campeã da Liga Universitária Feminina dos EUA, desbancando mulheres de seu próprio esporte

  • Patricia Lages | Patricia Lages, do R7

A nadadora transgênero Lia Thomas

A nadadora transgênero Lia Thomas

Joseph Prezioso / AFP - 20.3.2022

A história da nadadora americana transgênero Lia Thomas tem sido repleta de polêmicas desde que começou a competir com mulheres. Tendo nascido geneticamente do sexo masculino, William Thomas competiu por três anos na liga masculina sem grandes destaques. Entre os homens, apresentava um desempenho mediano, classificando-se apenas entre os 500, mas, ao se juntar à equipe feminina na campanha de 2021-2022, passou a fazer parte da elite do esporte.

Em fevereiro deste ano, a candidata republicana ao Senado americano Vicky Hartzler declarou em sua campanha que “o esporte feminino é para as mulheres e não para homens que fingem ser mulheres". Porém, para o NCAA (sigla em inglês para Associação Atlética Nacional), se Thomas fizesse um tratamento de um ano para baixar seu limite de testosterona poderia competir normalmente no esporte feminino. Como a atleta cumpriu a determinação, pode não só competir, como tornar-se campeã da liga feminina de natação.

Sobre a conquista de Lia Thomas, Ana Paula Henkel, medalhista olímpica brasileira de vôlei, publicou: “Sua genética masculina desclassificou meninas, bateu recordes e recebeu troféus no esporte feminino. Respeito como as pessoas escolhem viver sua vida, mas jamais aplaudirei isso no esporte".

Entre outras declarações, Henkel pede que as pessoas “parem de fingir que isso é inclusão”, pois as mulheres estão sendo excluídas do esporte feminino. Ela também faz um apelo às esportistas: “Acordem, atletas. Vocês são as únicas capazes de parar essa insanidade contra nós mulheres. Não tenham medo".

Já para o National Women's Law Center, os críticos de Thomas são "misóginos". Em um tuíte publicado no dia 18, afirmou que “Lia Thomas merece toda a celebração por seu sucesso nesta temporada, mas está sendo recebida com misoginia e transfobia em todo o país”.  A instituição declarou também que a nadadora é uma inspiração para as mulheres: “Lia, precisamos de pessoas como você. Não apenas como nadadora, mas para inspirar mulheres atletas — cis e trans — em todos os lugares".

Porém, que tipo de inspiração para as mulheres a vitória de Lia Thomas representa? Que as narrativas estão acima dos fatos? Que excluir as mulheres de seu próprio esporte se tornou símbolo de inclusão?

A separação entre homens e mulheres nas competições esportivas existe pelo fato de que homens têm uma genética fisicamente superior à das mulheres e que, por causa disso, elas teriam muito menos chance de vitória caso tentassem competir de igual para igual.

Independentemente de tratamentos hormonais, homens possuem maior número de glóbulos vermelhos no sangue, maior capacidade cardíaca, mais força, potência e velocidade. Portanto, homens sempre terão vantagens físicas sobre as mulheres, ainda que se tornem mulheres trans, fazendo com que sua presença no esporte feminino reduza as chances das mulheres cis.

Se tudo isso é uma questão de inclusão, por que homens trans não lutam para ser aceitos em competições masculinas? É preciso levar essa discussão a sério, pois o esporte feminino está sendo usado como palanque “progressista” em detrimento dos direitos das mulheres, enquanto feministas se calam por medo do cancelamento que elas mesmas sabem muito bem como impor aos outros quando lhes convêm.

Os textos aqui publicados não refletem necessariamente a opinião do Grupo Record.

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