Patricia Lages Análise: Medidas populistas prejudicam os mais pobres

Análise: Medidas populistas prejudicam os mais pobres

Enquanto políticos ganham pontos criando leis que parecem ótimas, a população sofre as consequências sem se dar conta

Uber Eats anunciou que vai deixar de fazer entregas a partir de 8 de março

Uber Eats anunciou que vai deixar de fazer entregas a partir de 8 de março

Simon Dawson/Reuters

Antes de tudo, é preciso entender que nada é tão caro quanto aquilo que o Estado dá de graça. Sempre vai ter alguém pagando a conta pelas atitudes impensadas dos políticos, e, sobre isso, há duas coisas a considerar. A primeira é que a maioria da nossa classe política está muito mais interessada em si mesma do que na população. E a segunda é que a corda sempre arrebenta do lado mais fraco, ou seja, são sempre os mais pobres que ficam com os maiores prejuízos.

Uma das modinhas canhotas — e míopes — do momento é o movimento “taxem os ricos”, que faz os mais pobres aplaudirem de pé, achando que, finalmente, o Estado tirará dinheiro de quem tem para dar a quem não tem. Mas a consequência é exatamente oposta ao que se espera, e temos dois exemplos contemporâneos para quem quiser ver.

Quando a França achou que, com uma “canetada”, tiraria dinheiro dos ricos para dar aos pobres, perdeu receita, pois viu os mais abastados deixando o país e levando seus bilhões para outros lados, onde estão pagando muito menos impostos. O mesmo aconteceu com a Argentina, que teve de dar “adiós” aos seus bilionários, que, por sua vez, foram muito bem recebidos no Uruguai. Ricos podem ser qualquer coisa, menos burros... Ao contrário dos pobres, eles têm opções e jamais permitirão que o Estado tome seu patrimônio.

Com isso, os mais pobres é que terão de trabalhar muito mais para cobrir o rombo nos cofres públicos, pois, em vez de gastar menos, o governo só pensa em aumentar ainda mais a arrecadação para poder continuar torrando dinheiro do contribuinte e criando mais leis que prejudicam justamente quem dizem proteger.

E, por falar em trabalhar, eis que aí vem a conta de outra medida populista que, como sempre, parece uma ideia genial. Hoje, o senador Randolfe Rodrigues (Rede) comemorou em suas redes sociais a sanção do projeto de lei de autoria do deputado Ivan Valente (PSOL) que garante direitos trabalhistas aos entregadores de aplicativos. “Vitória”, escreveu o senador.

Porém, também nesta quinta-feira, a Uber Eats anunciou que vai deixar de fazer entregas de restaurantes a partir de 8 de março. Segundo dados divulgados pela Uber, a empresa conta hoje com cerca de um milhão de motoristas e entregadores parceiros, dos quais 50 mil atendem exclusivamente a Uber Eats.

Com apenas uma “canetada” populista, 50 mil pessoas terão de buscar outra forma de renda. De entregadores parceiros a desempregados. Mas há quem esteja comemorando esta “vitória”.

Os textos aqui publicados não refletem necessariamente a opinião do Grupo Record.

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