Patricia Lages Análise: Mapa da miséria e previsões econômicas catastróficas

Análise: Mapa da miséria e previsões econômicas catastróficas

Argentina é 7º no Índice de Miséria e previsões apontam que mais de 155 milhões de pessoas no mundo viverão em extrema pobreza

  • Patricia Lages | Patricia Lages, do R7

Brasil já enfrenta uma situação extremamente complicada para os mais pobres

Brasil já enfrenta uma situação extremamente complicada para os mais pobres

Carla Carniel/Reuters - 14.04.2021

O economista americano Steve Hanke é responsável pelo cálculo do Índice da Miséria, um ranking que analisa – em curto prazo – dados como inflação, desemprego, PIB e taxa de juros com o objetivo de definir o nível de felicidade dos países em termos econômicos. Entre as 156 nações avaliadas, a Venezuela ocupa o topo da lista e o Zimbábue vem em segundo. Com um detalhe: a situação do primeiro colocado é bem pior que o segundo, pois na medição do HAMI (Hanke’s Annual Misery Index), a Venezuela aparece com 3.827 pontos, enquanto o Zimbábue obteve 547.

Há mais três países sul-americanos entre os onze mais infelizes economicamente: Suriname, na quinta posição com 145,3 pontos, a Argentina, no sétimo lugar com 95 pontos e o Brasil, em 11º com 53,4. Também fazem parte dos dez primeiros Sudão (3º), Líbano (4º), Líbia (6º), Irã (8º), Angola (9º) e Madagascar (10º).

Em termos mais abrangentes, com avaliações a longo prazo, estimativas do Banco Mundial dão conta de que o aumento da extrema pobreza atingirá mais de 115 milhões de pessoas ainda neste ano, em razão da crise econômica causada pela pandemia. Até 2021, esse número pode chegar a 150 milhões de pessoas sobrevivendo com menos de US$ 2 por dia (cerca de R$ 10).

Antes da crise sanitária, as projeções apontavam uma queda na pobreza global, abaixo dos 8% da população, porém, esse índice deve passar dos 9%. Nos últimos cinco anos o Brasil já vinha apresentando um aumento considerável da pobreza com quase 14 milhões de pessoas nessas condições. Com o pagamento do auxílio emergencial os números recuaram, mas por ser uma medida circunstancial – e não um crescimento econômico – a expectativa é que a tendência de aumento da pobreza continue nos próximos anos.

O fato é que, por mais que o Brasil já esteja enfrentando uma situação extremamente complicada para os mais pobres, os efeitos do fechamento prolongado das atividades econômicas ainda não estão sendo sentidos de uma forma mais ampla por conta de medidas pontuais, principalmente em relação ao auxílio emergencial que, de certa forma, suavizou os impactos. Essa conta, porém, ainda terá de ser paga pelo contribuinte durante muito tempo e, como sempre, os mais pobres arcarão com a maior parte.

No país onde “a economia a gente vê depois” virou slogan político, os estragos não poderão ser consertados apenas com frases de efeito. Precisaremos de um plano de retomada robusto e eficiente, mas em uma nação altamente polarizada politicamente, essa será uma tarefa ainda mais difícil.

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