Patricia Lages Análise: Maiores críticas das mulheres são elas mesmas

Análise: Maiores críticas das mulheres são elas mesmas

Sororidade, empatia e união são palavras presentes no vocabulário das mulheres, mas que ainda custam a aparecer nas atitudes de muitas

Ana Paula Siebert foi hostilizada nas redes sociais

Ana Paula Siebert foi hostilizada nas redes sociais

Reprodução/Instagram

Comparações, desconfianças, acusações, rixas, perseguições, altas doses de desdém e uma eterna competição sobre os mais variados tipos de coisa. Assim tem sido — ao longo dos séculos — o comportamento de grande parte das mulheres mundo afora. E com o advento das redes sociais essas atitudes estão mais amplificadas do que nunca, pois agora tudo e qualquer coisa se torna motivo para uma avalanche de críticas ou para uma overdose de palpites.

Certa vez, fui à casa de uma mãe de primeira viagem e, ao chegar, fiquei boquiaberta com o comportamento desdenhoso das mulheres que estavam ali. A casa estava de pernas para o ar, o que é perfeitamente compreensível para quem estava sozinha com uma bebê que não veio com manual. Mas, para as próprias parentes e amigas da mãe, tudo era motivo de crítica.

“Ela não sabia que ia receber gente em casa? Custava passar uma vassourinha?”
“Gente, tô chocada com o estado daquele quarto... vai lá dar uma espiada!”
“Isso é porque você não viu o banheiro. Parece que passou um furacão!”

Ver as próprias tias, primas e amigas falarem aquele tipo de coisa sem nem ao menos se dignarem de lavar um copo fez meu sangue subir. Porém, para minha surpresa, ao se dirigirem à mãe não houve nenhuma mudança de comportamento, mas apenas de alvo:

“Você parece que nem banho tomou... passa um pente nesse cabelo!”
“Tomara que seu marido não te veja nesse estado, cruz credo!”
“Você tem que se acostumar a cuidar da bebê e fazer o resto. Se tivesse babá era outra coisa...”

Mas mesmo quem pode ter babá será igualmente criticada. Aliás, esse é um alvo perfeito para aquelas que estão buscando motivos para menosprezar outras mulheres. Ana Paula Siebert, mulher de Roberto Justus e mãe de Vick, de 1 ano e 6 meses, que o diga. Há alguns dias ela foi hostilizada em suas redes sociais por ter mencionado que a filha dorme com a babá.

Nesta segunda-feira, Ana Paula voltou a tocar no assunto: "Eu optei por ter babá, não tenho minha mãe por perto para ajudar, ela mora a 600 quilômetros de distância. Não tenho mais sogra, infelizmente. Trabalho bastante, meu marido também... portanto optamos por ter babá em vez de deixar na creche ou colocar cedo na escola”.

Quem criticou a mãe de primeira viagem foram as mulheres mais chegadas a ela, e quem criticou Ana Paula Siebert foram mulheres que nem sequer a conhecem. Não importa que sejam de perto ou de longe, o que interessa é ofender, menosprezar e diminuir outras mulheres, principalmente se elas estão em momentos de maior vulnerabilidade. Infelizmente, sororidade, empatia e união têm sido apenas palavras vazias no vocabulário de muitas mulheres. Fica aqui uma reflexão que quiçá venha a render bons frutos.

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