Patricia Lages Análise: Lockdown, controle da mídia e propaganda

Análise: Lockdown, controle da mídia e propaganda

Primeiro lockdown aconteceu em Wuhan, China, depois de movimentos políticos, autoritarismo e muita propaganda  

Epicentro da pandemia que já dura mais de um ano, Wuhan foi a primeira localidade onde implementou-se o lockdown em 13 de fevereiro de 2020. Isso todo mundo já sabe, no entanto, o que pouco se divulga foi a forma como essa medida foi implementada.

De acordo com informações do The Financial Times, a população chinesa estava insatisfeita com o modo que o governo conduziu a pandemia desde o início, subnotificando os casos de infecção por coronavírus e não disponibilizando testes mesmo para pessoas que apresentavam sintomas característicos da doença.

Lockdown severo em Wuhan, na China: demonstração de força

Lockdown severo em Wuhan, na China: demonstração de força

EFE/EPA/YUAN ZHENG

Segundo Neil Ferguson, professor de epidemiologia do Imperial College London, somente casos graves estavam sendo diagnosticados como covid-19, enquanto apenas 10% das pessoas eram testadas, o que pode ter resultado na detecção de apenas uma a cada 19 infecções. Enquanto isso, a Comissão Nacional de Saúde da China proibia médicos chineses de confirmarem o diagnóstico em pacientes assintomáticos.

Para “acalmar” a população, o Partido Comunista Chinês (PCC) resolveu instituir um lockdown severo, mostrando toda a força do governo ao implementar medidas características de estado de sítio e prisão domiciliar. E para manter os chineses na linha, o PCC enviou mais de 300 jornalistas a Wuhan com o objetivo de “fornecerem forte apoio à opinião pública”, ou seja, para endossar as medidas como corretas, necessárias e benéficas para a saúde de todos.

O próprio presidente Xi Jinping afirmou à época que o governo precisava investir com mais empenho em propaganda e fortalecer seu controle sobre a mídia para “manter a estabilidade social”, o que em outras palavras significa patrocinar o tipo de notícia que deveria circular até convencer a população de que o partido estava conduzindo a situação da melhor maneira possível. Para isso, o PCC chegou a substituir governadores, escolhendo a dedo aqueles que concordavam com as medidas do governo que, por sua vez, não tinham – e continuam não tendo – nenhum consenso entre cientistas ao redor do mundo. Afinal de contas, caso houvesse, não seria necessária tamanha engenharia.

Qualquer semelhança com o que aconteceu em diversos países e que volta a ser implementado no Brasil não é mera coincidência. Grande parte das pessoas baseia suas opiniões exclusivamente nas opiniões da grande mídia, considerando que tudo o que é dito e repetido à exaustão é a mais pura verdade. Tudo isso tal qual previu Joseph Goebbles, ministro da propaganda da Alemanha Nazista: “Uma mentira dita mil vezes torna-se verdade.” A estratégia ainda funciona e quem pode pagar, cria a verdade que quiser.

Controlar o pensamento é muito mais fácil e barato do que governar cidadãos que raciocinam, questionam e exigem coerência em relação às atitudes de quem as governa. Mas o que se vê a cada dia mais é a comprovação de outra citação, desta vez do escritor americano Mark Twain: “É mais fácil enganar as pessoas do que convencê-las de que foram enganadas.”

Autora

Patricia Lages é autora de 5 best-sellers sobre finanças pessoais e empreendedorismo e do blog Bolsa Blindada. É palestrante internacional e comentarista do JR Dinheiro, no Jornal da Record.

Últimas

    http://meuestilo.r7.com/patricia-lages