Análise: Lição positiva que o autismo oferece

Mais comum em crianças do que Aids, câncer e diabetes juntos, o transtorno do espectro autista nos traz uma lição para a vida

  • Patricia Lages | Patricia Lages, do R7

Autismo atinge uma a cada 110 crianças

Autismo atinge uma a cada 110 crianças

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As estatísticas mais aceitas sobre o transtorno do espectro autista — nome oficial do autismo — são do CDC (Center of Diseases Control and Prevention), órgão americano equivalente ao Ministério da Saúde do Brasil, que dão conta de que a síndrome atinge uma criança a cada 110.

Para se ter uma ideia, esse número é maior do que a soma de doenças como Aids, câncer e diabetes em crianças. Portanto, é imprescindível que as autoridades de saúde tenham mais atenção na elaboração de políticas públicas de diagnóstico e tratamento.

O distúrbio não se manifesta fisicamente, mas, em geral, afeta a comunicação e a capacidade de aprendizado, além de dificultar a adaptação da criança a mudanças (por menores que sejam), a manter relações sociais e a demonstrar afeto.

Para o autista, ter uma rotina é imprescindível, e qualquer coisa que aconteça fora do previsto pode desencadear crises nervosas e comportamentos violentos, em maior ou menor grau. Isso porque o desenvolvimento da criatividade de uma pessoa com autismo pode ser bastante comprometido ou até inexistente. Para ele, o que é definido não pode ser mudado. E é esta forma de encarar o mundo que pode nos deixar uma grande lição.

Se as pessoas entendessem quanto a palavra dada deveria ser respeitada, certamente viveríamos em uma sociedade muito mais justa e confiável. Desde os mínimos detalhes, como chegar no horário combinado, passando pelo respeito aos prazos preestabelecidos e até o cumprimento das obrigações das partes em um contrato. Se a palavra das pessoas realmente tivesse valor, nem sequer seria necessário o sem-fim de burocracias que, na prática, existem apenas para obrigar as pessoas a fazerem aquilo que deveriam fazer naturalmente.

Para os autistas, a palavra dada é a mais absoluta verdade, portanto, acreditam nela piamente. Sua maneira de raciocinar geralmente não desenvolve outras possibilidades, ou seja, não imaginam que aquilo que foi prometido pode não acontecer, gerando esta ou aquela possibilidade. Para eles, o que foi dito tem de ser cumprido e o que foi combinado não pode ser mudado sem que haja uma justificativa e sem que se respeite um prazo suficiente para que consigam assimilar e aceitar (na melhor das hipóteses).

Se todos levassem a sério a própria palavra e entendessem que só deveriam prometer o que realmente têm intenção e podem cumprir, muitos de nossos problemas simplesmente desapareceriam. Que todos nós possamos desenvolver essa habilidade que todo autista tem.

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