Patricia Lages Análise: Lacrando, afundando e gerando desemprego

Análise: Lacrando, afundando e gerando desemprego

Restaurante americano implanta ideias “marxistas” e “coletivistas” e obtém o resultado que qualquer capitalista saberia: falência

  • Patricia Lages | Patricia Lages

Longa espera por sanduíche vegano virou prato indigesto em restaurante socialista

Longa espera por sanduíche vegano virou prato indigesto em restaurante socialista

Pixabay

Basicamente, o empreendedor de sucesso é aquele que oferece soluções eficientes e acessíveis para os problemas que seu segmento de clientes tem. Isso porque as pessoas, literalmente, pagam para não terem problemas. Porém, devido à grande competitividade que há hoje em dia em praticamente qualquer área de atuação, ter um diferencial no produto e/ou serviço é imprescindível.

Mas, por mais inovador que seja, há regras básicas a serem seguidas para que um negócio tenha mais chances de se estabelecer e ser lucrativo. Sim, é preciso ter lucro, aquela palavrinha que todo marxista faz cara feia e jura odiar. Aliás, é engraçado ver “progressistas” se aventurando no mundo do empreendedorismo com seus iPhones e Apple Watches, uma vez que nada disso pertence ao seu mundo..., mas esse é um assunto para outra análise.

O que está em questão é mais um empreendimento falido na tentativa de implantar ideias utópicas no mundo real. A notícia não é recente, mas voltou à tona em um dos artigos mais lidos da semana no site do Instituto Mises Brasil. Há alguns anos, um grupo de veganos socialistas teve a ideia de abrir um restaurante, o The Garden Diner and Café, em Grand Rapids, Michigan. O negócio seria diferente de tudo e estabeleceu regras nada ortodoxas:

• Coletivismo: não havia chefe ou gerente. O local era gerido por todos os funcionários e nenhum deles tinha mais poderes que os outros;
• Justiça social: todos recebiam “salários dignos”;
• Igualdade: os salários de todos era exatamente o mesmo, independente do cargo, das habilidades ou do grau de responsabilidade;
• Sem meritocracia: nenhum garçom podia receber gorjetas.

Logo no início, os veganos simpatizantes da “causa” aderiram à ideia e o negócio parecia um sucesso. Fazer as refeições diante de uma parede vermelha decorada com imagens de Che Guevara e Mao Tsé-Tung devia ser agradável, ainda que só para quem não sabia nada sobre esses personagens. Afinal, quem em sã consciência não perderia a fome lembrando das 144 mortes (segundo a ONG Archivo Cuba) que Che Guevara – o guerrilheiro argentino fã de relógios Rolex – esteve envolvido? E quem teria vontade de pedir uma refeição sabendo que as políticas do governo de Mao Tsé-Tung foram responsáveis pela morte – por inanição – de mais de 50 milhões de pessoas? Curioso para um restaurante...

Mas, aos poucos, a regra do coletivismo começou a chatear os clientes. Os funcionários decidiam entre si os dias e horários de abertura, que não eram fixos – porque ninguém deveria ser escravo do sistema – o que deixava os clientes confusos, pois era comum chegar e dar de cara com o local fechado.

Aparentemente os “salários dignos” não deviam ser tão dignos assim, pois não havia empenho por parte da equipe que, segundo relatos de clientes à época, podiam levar mais de 40 minutos para servir um simples sanduíche. Ou seria essa falta de interesse por conta da igualdade salarial, onde o chefe de cozinha e o auxiliar de limpeza recebiam o mesmo valor? E quanto ao péssimo serviço dos garçons? Seria pela desmotivação de não poderem ganhar nem um centavo sequer de gorjeta por seu bom desempenho?

A questão é que os “companheiros” acabaram fechando as portas e toda ideia utópica de igualdade e justiça social foi por água abaixo. O que restou foi a dura realidade da falência e do desemprego, fazendo com que a equipe tivesse de buscar recolocação em empresas capitalistas onde há hierarquia, programa de cargos e salários, meritocracia e lucro.

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