Patricia Lages Análise: Lacração das cotas não passa de marketing gratuito

Análise: Lacração das cotas não passa de marketing gratuito

Empresas têm cedido ao politicamente correto ao anunciarem vagas com cotas para “minorias” e, enquanto ganham propaganda grátis, todos perdem

Vagas de emprego exclusivas para mulheres, negros, homossexuais, travestis. Cada vez mais empresas cedem à política de cotas que, ao contrário do que se propõem, não melhora em nada o ambiente de trabalho.

Há poucas semanas a XP, empresa do mercado financeiro, anunciou a abertura de uma centena de vagas exclusivamente reservadas para mulheres. A medida faz parte de um compromisso público de contar com 50% de mulheres em seu quadro de colaboradores até 2025. Parece ótimo, não é mesmo? Mas só parece.

Cotas para mulheres no mercado de trabalho: recrutamento por gênero e não por competência

Cotas para mulheres no mercado de trabalho: recrutamento por gênero e não por competência

Pixabay

Como mulher e como educadora financeira, me sinto extremamente desconfortável em saber que profissionais dessa importância têm sido recrutados por gênero e não por competência. Isso porque, no meu ponto de vista, qualquer pessoa que for atendida por uma mulher vai se questionar se ela é realmente capacitada ou se está ali só para completar uma cota estabelecida pela onda do politicamente correto.

Equidade de gênero no mercado de trabalho é algo tão sem sentido que chega a causar perplexidade que grandes corporações estejam entrando nessa narrativa. Eu não quero ser atendida por uma mulher só porque sou mulher. Eu quero ser bem atendida e ponto. Se for um homem, um travesti, um negro, quem se importa? Por que temos que engolir essa estupidez de dividir as pessoas o tempo todo e ainda posar de bonzinho por conta disso?

A questão é que publicidade custa caro e esse tipo de medida é incomparavelmente mais barata do que uma campanha bem feita, bem pensada, com uma estratégia de mídia bem posicionada e tudo mais. A lacração das cotas gera propaganda gratuita e é isso que interessa. Se qualquer funcionário de cota tiver de conviver dentro das empresas com o fantasma de ter sido contratado não por competência, mas por qualquer outro motivo, quem se importa?

E agora chegou a vez de o Nubank surfar na mesma onda. Depois que uma fala da cofundadora do banco digital, Cristina Junqueira, repercutiu muito mal em um programa de TV, a empresa divulgou que o episódio serviu para “refletir” sobre o racismo. Junqueira – em uma fala contextualizada – comentou que seria difícil encontrar lideranças negras e que não se podia “nivelar por baixo” as equipes de trabalho. A lacrosfera não gostou e a empresa resolveu divulgar o objetivo de ter 22% de colaboradores negros até 2025.

É assim que se “resolvem” os mal-entendidos, até porque, na lacrolândia não adianta argumentar, explicar e nem mesmo desenhar. Por lá o pessoal está acostumado apenas a tiro, porrada e bomba. E, quanto a nós como consumidores, seguimos assim: descendo a ladeira em ritmo acelerado.

Autora
Patricia Lages é autora de 5 best-sellers sobre finanças pessoais e empreendedorismo e do blog Bolsa Blindada. É palestrante internacional e comentarista do JR Dinheiro, no Jornal da Record.

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