Patricia Lages Análise: Indústria da desigualdade vende, mas não entrega

Análise: Indústria da desigualdade vende, mas não entrega

Existe um negócio muito lucrativo que trabalha incansavelmente vendendo um “produto” bastante caro e que jamais será entregue

Paraisópolis e Morumbi, na zona sul de São Paulo

Paraisópolis e Morumbi, na zona sul de São Paulo

HÉLVIO ROMERO/ESTADÃO CONTEÚDO/ 30/11/2006

A ideia de que todos os problemas do Brasil têm suas raízes na desigualdade social é plantada há muito tempo, mas nos últimos anos o conceito vem sendo amplificado e ganhado novas ramificações.

Porém, é muito simples de entender que o problema não é a desigualdade e, sim, a pobreza. Se você tem R$ 100 milhões e eu apenas R$ 5 milhões, certamente há uma grande desigualdade entre nós, mesmo assim, ambos poderíamos viver dignamente com nossas rendas milionárias. O problema é quando poucos têm bilhões enquanto muitos vivem na pobreza.

Diante disso, a indústria da desigualdade trabalha duro para que a população compre a ideia de que a solução está em seguir o exemplo do personagem de Alexandre Dumas: tirar dos ricos e dar aos pobres. Mas é preciso lembrar que Robin Hood é o “príncipe dos ladrões” também chamado de “o fora da lei”, logo, tirar não é o melhor verbo para o que os populistas socialistas propõem.

Aliás, é preciso reconhecer que os socialistas são, na verdade, gênios do capitalismo, afinal, lucram alto vendendo igualdade a preços exorbitantes, mesmo sabendo que ela jamais será entregue.

O problema do Brasil, como em várias partes do mundo, é a pobreza e esta só pode ser combatida com trabalho. Ações sociais são válidas, pois amenizam as dificuldades, mas tratam-se apenas de paliativos e não devem ser perenes a ponto de tornar as pessoas dependentes.

A ideia de criar vítimas e fazê-las reféns de regimes totalitários que prometem o paraíso – mas entregam menos que o mínimo necessário para a sobrevivência – é bastante sedutora, mas não funciona em nenhum país do mundo, qualquer socialista minimamente informado sabe disso. A questão é que tentam esconder o fracasso sob a alegação de que o modelo não foi implantado da “forma certa” ou dando qualquer outra desculpa tão esfarrapada quanto.

Só o capitalismo proporciona ao pobre a oportunidade de ascender socialmente e mudar de vida por seus próprios méritos. Empoderar alguém é encorajá-lo a não depender de ninguém, a sacrificar para conquistar o que deseja e não atrapalhá-lo com burocracias desnecessárias, altas cargas tributárias e leis sem pé nem cabeça.

E se há uma verdade sobre o socialismo que precisa ser difundida até ser entendida por todos é que “o populismo ama tanto os pobres que os multiplica”.

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