Patricia Lages Análise: 'Greve branca' onde já parecia haver greve permanente

Análise: 'Greve branca' onde já parecia haver greve permanente

Receita Federal, secretarias da Fazenda e secretarias municipais estão em 'greve branca' ou operação tartaruga, atrasando ainda mais os atendimentos

Funcionários da Receita Federal fazem 'operação tartaruga'

Funcionários da Receita Federal fazem 'operação tartaruga'

Marcelo Camargo / Agência Brasil

Quando se tem qualquer questão a resolver com a Receita Federal, com alguma Secretaria da Fazenda (Sefaz) ou com secretarias municipais, o maior gerador de dor de cabeça não é o problema em si, mas, sim, a complexidade e a lentidão dos atendimentos. Essa é uma dificuldade crônica, e não é preciso que haja feriado prolongado, greve ou outra coisa para causar atraso nos processos. O atendimento normal já é um atraso na vida de qualquer cidadão.

Porém, quando se fala em prestação de serviços públicos, nada é tão ruim que não possa piorar. Desde setembro tanto a Receita Federal quanto as secretarias estão em “greve branca”, também conhecida como “operação tartaruga” ou “operação-padrão”, que, na prática, significa um atendimento propositadamente mais lento. Aliás, cabe um parêntese: chamar o aumento da lentidão de “operação-padrão” é realmente um acerto; afinal, o padrão é ser lento mesmo.

Para Cristiane Grilo Moutinho, gerente societária da Confirp Consultoria Contábil, essa atitude por parte dos funcionários é prejudicial: “Esses funcionários estão em busca de direitos e querem pressionar os governos, mas a situação é muito complicada para quem necessita atuar junto a esses órgãos. Para se ter ideia, se antes eram realizados vinte atendimentos, por exemplo, agora são cinco apenas, isso compromete também os agendamentos, para as contabilidades, e vem se mostrando um grande problema".

O número de reclamações de usuários aumentou consideravelmente desde a implementação da greve branca e não há nenhuma perspectiva de término. De acordo com Moutinho, a situação de quem precisa de agendamento é caótica, pois é necessário madrugar nos locais de retirada de senha, o que não significa garantia de atendimento.

O descaso por parte de quem deveria entender que servidor público tem a função de servir ao público desmotiva o brasileiro de empreender e atrasa o país como um todo. Já não chega termos de perder muito tempo e muito dinheiro só para calcular nossos próprios impostos — o que de forma alguma é tarefa simples —, arcar com alíquotas e tributos altíssimos e, ainda por cima, se cometermos qualquer erro, por menor que seja, podemos ser penalizados de inúmeras formas.

Em um país onde quem deveria servir à população não tem o menor respeito por ela não há como progredir. E assim seguimos, aos trancos e barrancos, esperando que o “país do futuro” entenda que ainda estamos vivendo no passado.

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