Análise: golpe do vídeo íntimo lucra alto

E-mail ameaçando expor um suposto vídeo íntimo tem feito muitas pessoas cederem à chantagem e pagarem preços altos para manter privacidade

Golpe do vídeo íntimo atinge milhões

Golpe do vídeo íntimo atinge milhões

Pixabay

Esse tipo de golpe já tem até nome: "sextortion", ou seja, uma extorsão sexual. Mais de 27 milhões de pessoas – inclusive eu – receberam um e-mail ameaçador com um texto similar a este: "Invadi seu computador! Percebeu que enviei esta mensagem do seu próprio e-mail? Tenho um vídeo íntimo seu e você tem 24 horas para impedir que eu o divulgue para todos os seus contatos. Se você não responder, vou entender que posso divulgar. Caso queira impedir, responda 'sim' e você receberá as condições (que são inegociáveis). Você decide!"

No meu caso, ao receber o e-mail, me limitei a trocar a senha e dormi na mais perfeita paz, afinal de contas, eu nunca produzi vídeos dessa natureza e nem tenho câmeras abertas nos meus dispositivos. Porém, muita gente caiu no golpe simplesmente porque sabe que a possibilidade de o e-mail ameaçador ser verdadeiro era real.

Analisando o golpe, uma empresa de software detectou a movimentação de 11 bitcoins devido ao golpe, que equivalem a mais de R$ 350 mil na cotação de hoje. Com isso, a conclusão à qual chegamos – e que os hackers de plantão, também – é que ameaçar pessoas com esse tipo de abordagem funciona.

Em vista disso, prepare-se para que outros golpes parecidos comecem a pipocar no seu e-mail. Existem formas de aumentar a segurança nos seus dispositivos? Existem sim. Mas, por outro lado, também há chances de que os hackers burlem essa segurança e acessem novamente.

A solução para esse tipo de chantagem é a mesma para qualquer outra, seja digital ou analógica: não ter "culpa no cartório". Aí você pode pensar: "Mas agora eu não tenho mais o direito de gravar ou fotografar o que eu bem entender?" Sim, o direito você tem, mas o risco de ser exposto (e possivelmente chantageado) faz parte do pacote.

Eu também gostaria muito de poder sair de casa deixando portas e janelas abertas, mas não posso. Gostaria imensamente de dirigir com os vidros abertos e de poder usar joias pelas ruas sem me preocupar de ficar sem pescoço, mas também não posso.

Se nós trancamos a nossa casa para que nossos bens não corram o risco de serem roubados, por que permitiríamos a chance de que o nosso corpo – bem mais precioso que temos – corra esse risco?

Não são poucos os jovens que têm cometido suicídio por terem seus tão "inocentes" nudes vazados. O "meu corpo, minhas regras" tem cobrado um alto preço, e a pergunta que fica é: será que vale mesmo a pena? Minha análise quanto a isso é bem simples: não se expõem joias em banca da liquidação. Ao contrário, essas ficam em um cofre forte, bem seguras e, ainda por cima, protegidas por um segredo. Quanto vale o seu corpo?

Patricia Lages

É jornalista internacional, tendo atuado na Argentina, Inglaterra e Israel. É autora de cinco best-sellers de finanças e empreendedorismo e do blog Bolsa Blindada. Ministra cursos e palestras, tendo se apresentado no evento “Success, the only choice” na Universidade Harvard (2014). Na TV, apresenta os quadros "Economia doméstica" no programa "Mulheres" TV Gazeta e "Economia a Dois" na Escola do Amor, Record TV. No YouTube mantém o canal "Patrícia Lages - Dicas de Economia", com vídeos todas as segundas e quartas.