Patricia Lages Análise: feministas lacram (as portas de seus negócios)

Análise: feministas lacram (as portas de seus negócios)

Mulheres apostam na chamada “irmandade feminina” para conduzir seus negócios, mas vão à falência

A empresária e jornalista Samantha Brick

A empresária e jornalista Samantha Brick

Reprodução/RTE One

A britânica Samantha Brick, jornalista e produtora de televisão, teve a ideia de criar a primeira empresa de produção somente com funcionárias. Depois de ter trabalhado doze anos em companhias onde os altos cargos eram ocupados por homens, a feminista acreditou que uma produtora formada 100% por mulheres competentes, inteligentes e tão engajadas quanto ela seria um sucesso, afinal de contas, sem o machismo e a misoginia dos homens haveria plena harmonia. Ela apostou seus recursos para provar ao mundo que mulheres unidas vão muito mais longe: renovou a hipoteca da casa e investiu mais de 100 mil euros no novo negócio.

Brick contratou sete mulheres que, de cara, exigiram dela altos salários. “É justo, pois elas são excelentes profissionais”, pensou, aceitando as condições. Porém, em vez de focarem no trabalho, em apenas uma semana, as funcionárias formaram dois grupos opostos: as que já haviam trabalhado juntas contra as novas. Elas mantinham-se separadas para tudo: café, almoço e até nos happy hours da empresa.

Segundo a produtora, qualquer coisa era motivo para competições, inclusive quando duas delas compraram coincidentemente o mesmo jeans. “Fica melhor em mim, porque uso tamanho 8 e ela 10”, atacou a mais magra, declarando-se vencedora do campeonato “quem pode usar o jeans no trabalho”. Brick também tinha que aceitar faltas por conta de procedimentos estéticos – sempre marcados em horário de trabalho – inúmeros atrasos justificados com frases do tipo “eu estava pintando o cabelo” ou “estou com TPM” e ainda remunerar licenças tiradas por conta própria.

As fofocas também eram frequentes. Embora se elogiassem o tempo todo, pelas costas, as que se arrumavam diziam sobre as outras: “Será que ela não sabe cobrir aquela mancha com maquiagem?” e “O cabelo daquela ali nunca viu uma escova!”, enquanto as que não se arrumavam tanto diziam: “Quem cruzar com Fulana no estacionamento vai pensar que é uma prostituta”. Era comum comprarem café com leite integral de presente para a funcionária mais gorda da empresa mentindo que era desnatado e ainda dizerem: “Eu cometeria suicídio se ficasse assim tão gorda!”

Como nenhum reino dividido se mantém de pé, o sonho da empresa harmônica baseada na irmandade feminina veio por água abaixo. Em questão de dois anos, Brick decretou falência e desabafou: “Meu idealismo foi minha perdição. O egoísmo e a insegurança levaram minha companhia à falência. Embora não me absolva da culpa, acredito que a ruína veio pela inveja e pelas guerras internas de uma equipe 100% feminina” e declarou: “Se pudesse voltar atrás contrataria homens. Na verdade, eu só contrataria homens. Quando precisei da irmandade feminina, ela não estava lá”.

Quem com lacre lacra, com lacre será lacrado

A feminista e vegana Alex O’Brien criou uma taxa extra de 18% para homens em seu café – Handsome Her – em Melbourne, Austrália. Segundo a proprietária, a ideia do que chamou de “imposto do homem” era fazer justiça ao público feminino que enfrenta “discrepância salarial há décadas”. Apesar de os homens pagarem mais caro, as melhores mesas eram reservadas para as mulheres que, inclusive, tinham preferência no atendimento.

No início das atividades, em 2017, O’Brien ignorou as críticas, principalmente pela internet, que a acusavam de sexista e focou apenas em festejar os retornos positivos, afirmando que alguns homens, além de não se importarem em pagar mais, doavam valores para colaborar com a causa. Porém, o negócio lacrou as portas em menos de dois anos e toda lacração feminista se voltou contra a lacradora.

O café passou a ser classificado como péssimo no TripAdvisor pela maioria dos clientes e alguns passaram a registrar acusações nas avaliações: “Elas discriminam mulheres trans, perguntando se são homens e cobrando mais caro de quem nasceu homem”, relatou uma cliente, enquanto outros reclamaram da segregação imposta no ambiente e que homens brancos cisgênero eram destratados.

A turma da lacração não perdoa nem mesmo quem está disposto a apostar seu tempo, dinheiro e energia em prol da causa. Infelizmente, tanto Samantha Brick quanto Alex O’brien amargaram prejuízos ao tentarem lucrar na base da lacração. O lacre não poupa ninguém.

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