Análise: feminismo prega igualdade, mas quer soberania

Apesar do discurso de que o machismo enaltece os homens enquanto o feminismo busca a igualdade de gênero, a prática que se vê é diferente

Cerise Muscate/Pixabay

No meu trabalho de mentoria financeira e na área do empreendedorismo, mais de 90% das pessoas que atendo são mulheres. Por isso, acompanho muitos grupos femininos e, dentre eles, há também os feministas. O que tenho visto são lideranças feministas tentando – e muitas vezes conseguindo – incutir a ideia de que as mulheres são mais capazes, mais preparadas, mais eficientes e, portanto, devem ter mais privilégios do que os homens. Em suas explanações, palestrantes apresentam números que demonstram supostas injustiças contra as mulheres e levam o público a deixar os eventos com um sentimento de vingança.

“Nós vamos dar o troco!”. “Vamos virar esse jogo, meninas!”. “‘Eles’ vão ver só!”. “Ah, mas essa situação vai mudar!”. “Isso não vai ficar assim!”. “Nos aguardem, homens!”. Esse tipo de frase parece discurso de igualdade para você? Para mim, que vejo de perto as reações e ouço o tom com clareza, posso afirmar que não. A questão é que homens e mulheres não são iguais e jamais serão. Nossos direitos civis são iguais e, em alguns casos, a mulher até leva vantagem, como por exemplo, nas delegacias exclusivas para mulheres quando não há esse tipo de serviço para homens. Claro que haverá quem diga que homens não precisam, ainda mais se forem brancos, mas é fácil dizer o que o outro não precisa quando não se está na pele dele.

Dizer que mulheres têm menos oportunidades por causa dos homens é irreal. Afinal de contas, o mercado visa o lucro e não o gênero. Se uma pessoa traz lucro, ela será contratada, independentemente se é homem ou mulher. O problema é que diversos grupos feministas têm atrasado as mulheres, pois querem exigir que as empresas as tratem com mais regalias, afinal, mulheres são mais capazes, mais preparadas etc. etc. Querem treinamento especial e exclusivo, locais de trabalho e descanso diferenciados e a garantia de condições que as coloquem acima do bem e do mal, onde possam permanecer intocadas em seus pedestais. Isso gera mais despesas, portanto, as poucas empresas que oferecem isso, cobram caro por isso. E lá estão as mulheres, mais uma vez, tendo de fazer mais do que os outros para provar que são melhores do que os outros. É um ciclo vicioso e que, na realidade, não traz benefícios às mulheres. Só não enxerga quem não quer.

Eu sou mulher e sempre trabalhei em locais predominantemente masculinos. Finanças era uma área onde os homens ocupavam praticamente todos os lugares, mas sabe por quê? Por desinteresse das mulheres. Há estudos apontando que 80% das mulheres donas de negócios delegam suas finanças a um homem, seja marido, filho ou funcionário do sexo masculino. Elas delegam. Elas expressam seu desinteresse. O meu interesse pelo assunto me fez autora best-seller e dona de um canal bem-sucedido de finanças no YouTube.

Quando nós, mulheres, arregaçamos as mangas e focamos em fazer o nosso melhor, nós crescemos. Mas quando queremos provar que somos melhores do que os outros, nos tornamos incômodas e inconvenientes, tanto para os outros, como para nós mesmas.

Patricia Lages

É jornalista internacional, tendo atuado na Argentina, Inglaterra e Israel. É autora de cinco best-sellers de finanças e empreendedorismo e do blog Bolsa Blindada. Ministra cursos e palestras, tendo se apresentado no evento “Success, the only choice” na Universidade Harvard (2014). Na TV, apresenta os quadros "Economia doméstica" no programa "Mulheres" TV Gazeta e "Economia a Dois" na Escola do Amor, Record TV. No YouTube mantém o canal "Patrícia Lages - Dicas de Economia", com vídeos todas as segundas e quartas.