Patricia Lages Análise: Esquerda e direita niveladas na América do Sul

Análise: Esquerda e direita niveladas na América do Sul

Apesar de a esquerda ter boa parte da imprensa a seu favor, o pêndulo entre esquerda e direita está nivelado no continente

  • Patricia Lages | Patricia Lages, do R7

América do Sul tem seis países com governo de direita e seis com de esquerda

América do Sul tem seis países com governo de direita e seis com de esquerda

Pixabay

A impressão que se tem, principalmente na América do Sul, é que a esquerda detém o governo na maioria dos países. Porém, das doze nações sul-americanas, o pêndulo entre esquerda e direita se mantém equilibrado, com seis países para cada lado, digamos assim.

A esquerda governa a Argentina, mas com um mapa político redefinido e maioria do senado de direita, a Bolívia, a Guiana, o Peru, o Suriname e, por fim, a “democrática” Venezuela, cujas mazelas, curiosamente têm sido amenizadas por grande parte da imprensa. E os países com governo de direita são: Brasil, Chile, Colômbia, Equador, Paraguai e Uruguai.

Por aqui, enquanto a esquerda é considerada moderada, equilibrada e assertiva, a direita quase sempre é classificada como “extrema”, leva a culpa por todos os infortúnios – incluindo as mortes causadas pela disseminação mundial de uma doença – e com o conservadorismo sendo pintado como sinônimo de atraso, quando na verdade, tem a proposta de manter os valores e os pilares que sustentam a civilização.

Diante desse cenário, a maioria dos partidos políticos brasileiros aprendeu como “escorregar” para o lado que mais lhe convém, se autoclassificando como partidos de centro. Daí em diante vale tudo, até Geraldo Alckmin como possível vice de Lula, ou seja, o lado que mais parecer vantajoso para chegar ao poder será o lado assumido, pelo menos, até as eleições.

E em tempos de “tolerância” e “combate aos discursos de ódio” – sendo permitido apenas o “ódio do bem” – a estratégia é adotar um discurso “paz e amor” e taxar qualquer conceito dos adversários como fake news, ainda que haja embasamento estatístico ou justificativas. Para que o plano de retomada do poder funcione, basta aproveitar-se ao máximo das minorias, dividir e subdividir a população, apoderar-se de todas as “causas” e posar como único senhor e salvador.

As próximas eleições irão requerer um eleitor muito mais maduro e interessado. E que assim seja, pelo bem de todos nós, enquanto ainda há um mínimo de democracia e a vontade da maioria prevalece.

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