Patricia Lages Análise: era para achatar a curva, agora é para que mesmo?

Análise: era para achatar a curva, agora é para que mesmo?

O objetivo do lockdown, um ano atrás, era achatar a curva de contágio até equipar os hospitais. R$ 33 bilhões depois, voltamos à estaca zero

  • Patricia Lages | Patrícia Lages

O governador João Doria ao lado de Jean Gorinchteyn, secretário de saúde de SP

O governador João Doria ao lado de Jean Gorinchteyn, secretário de saúde de SP

Governo do Estado de São Paulo - 11.03.2021

O estado de São Paulo enfrentará, a partir do dia 15, mais uma demonstração de autoritarismo “agripiniano”, politicagem e muito marketing. É preciso investir na intensificação das emoções – o que inclui transformar o medo já presente em pânico – e aproveitar para colocar na conta dos inimigos políticos a culpa por todas as mortes no estado.

A ideia é reforçar os números negativos sem mencionar o quanto representam em termos percentuais. A matemática e a ciência não importam quando o assunto é semear o pânico para colher apoio a mais uma medida sem comprovação científica alguma. Logo, é preciso dizer que, no estado de São Paulo temos 9.184 pacientes internados com covid-19. São quase dez mil pessoas e não se discute o direito de cada uma delas de receber os cuidados necessários. Porém, desde quando um estado parou por conta da internação de menos de 0,025% da população? Essa é a representatividade quando de faz as contas considerando o número de habitantes: 44.840.384, segundo a Fundação SAEDE, em fevereiro de 2021.

Quando se diz que 53 municípios estão com 100% de ocupação nos leitos de UTI, não se menciona que a representatividade percentual é de menos de 8,5%. Conhecendo o nosso sistema precário de saúde, deve ser algum recorde termos mais de 90% dos municípios com vagas de UTI destacadas especificamente para uma doença, visto que, normalmente, há uma longa fila de espera por internações de qualquer outra especialidade. No momento, são internadas, em média, 150 pessoas por dia, o que em termos percentuais não chega a ter representatividade. Lembre-se: são 150 pessoas em um universo de mais de 44 milhões.

Reitero que estamos falando de número de internações e não de mortes e que, ainda assim, cada pessoa importa e tem de receber os cuidados necessários. Nada disso é gratuito, afinal, todos pagamos. Mas, o ponto central desta análise se resume a uma pergunta que torno a repetir: desde quando um estado parou por conta da internação de uma porcentagem tão baixa de pessoas?

Independentemente do que a mídia tem feito para inflamar a população e disseminar o pavor, estes são os dados sobre a covid-19 que estão disponíveis para quem quiser pesquisar:

• Grau de contaminação 2 – significa que cada pessoa infectada contaminará outras 2, enquanto o sarampo, por exemplo, oscila entre 12 e 18
• Taxa de letalidade de 0,23% – comparativamente, a pneumonia tem uma taxa um pouco menor (0,20%), assim como a gripe (0,13%)
• Grupo de risco: maiores de 70 anos
• Grupo com maior letalidade: pessoas com comorbidades (diabetes, hipertensão, obesidade etc.)
• Crianças: praticamente imunes
• Novas cepas: como qualquer outro vírus, é comum que surjam de tempos em tempos
• Tratamento precoce: não há remédios que curem a doença, mas há comprovação de melhora com o uso precoce de alguns medicamentos
• Vacinação: o Brasil é o primeiro país do BRICS e o segundo da América Latina com maior número de vacinados a cada 100 habitantes

Para finalizar, o que foi feito dos bilhões de reais que o governo de São Paulo recebeu da União? Por que, depois de um ano ainda temos déficit de leitos enquanto a única coisa que se amplia cada vez mais é a guerra política? Quem somos nós e o que representamos para essa classe de governantes que só tem olhos para 2022? A única conclusão à qual sempre chego continua sendo a mesma: nunca foi pela saúde, nunca foi por vidas, sempre foi por poder, sempre foi por dinheiro.

Autora

Patricia Lages é autora de 5 best-sellers sobre finanças pessoais e empreendedorismo e do blog Bolsa Blindada. É palestrante internacional e comentarista do JR Dinheiro, no Jornal da Record.

Últimas

    http://meuestilo.r7.com/patricia-lages