Patricia Lages Análise: Era do cancelamento, a inquisição do século 21

Análise: Era do cancelamento, a inquisição do século 21

Bloqueios, moderação de conteúdo em redes sociais e até cancelamento de contas. A liberdade está sob ataque

Em algum momento e de forma sutil inicialmente, a era da comunicação democrática originada pelas redes sociais se transformou na era do cancelamento, uma espécie de caça às bruxas. A liberdade de expressão de ideias e opiniões vem sendo cerceada – de forma nada sutil – justamente pelas big techs, as empresas detentoras das redes sociais.

Postagens que não reforçam as narrativas que interessam às elites têm sido moderadas, censuradas e até mesmo bloqueadas, transformando as redes em uma grande ferramenta de manipulação da informação. Em seu livro “#antes que apaguem – Sem desculpas, sem isenção, sem censura... por enquanto”, Luiz Philippe de Orleans e Bragança afirma que a comunicação está passando por uma transição para pior e que “a próxima geração não saberá dizer a diferença entre a liberdade e a manipulação do mundo on-line, pois já nascerá sob as novas condições e códigos e aceitará tudo isso como normal.”

Cultura do cancelamento: manipulação e ausência do debate

Cultura do cancelamento: manipulação e ausência do debate

Crédito: Reprodução

As redes sociais passaram a ser fonte de notícias para grande parte das pessoas, porém, os algoritmos trabalham em prol de mostrar às pessoas anúncios e postagens que corroboram com aquilo que elas mesmas postam ou buscam. Dessa forma, formam-se bolhas onde não há espaço para quem pensa diferente, para o contraponto, para o debate. A verdade passa a ter várias faces – como se isso fosse possível – e cada um acredita cada vez mais naquilo que quer ou naquilo que cria, distanciando-se da realidade.

As big techs, que se apresentaram como defensoras da democracia, têm sido instrumentos de censura, de manipulação e de reforço a narrativas sem compromisso algum com a realidade. Ao passo que bloqueiam e tiram do ar postagens e contas conservadoras, que promovem valores e prezam pela individualidade, liberdade e respeito à propriedade privada, permitem que até mesmo líderes terroristas permaneçam com suas contas intactas. A censura tem um direcionamento bem definido e isso fica a cada dia mais claro.

Em uma entrevista, o ator americano Denzel Washington, que muitas vezes foi vítima de fake news, afirmou que “se você não lê as notícias, fica desinformado. Se lê, fica mal informado.” Logo, nos resta apenas o dever de escolher uma de duas opções: acreditar em mentiras ou não querer saber delas. Mais do que nunca é preciso ser seletivo com os canais de comunicação que se acessa, principalmente com as tais “agências de checagem” de notícias que se colocam como as paladinas da verdade absoluta, mas que já propagaram várias fake news. É necessário questionar, afinal de contas, quem checa os checadores? Quem concedeu a eles essa função?

Temos de ter consciência da nossa responsabilidade em não compactuar com essa disseminação de narrativas falsas e jamais compartilhar notícias sem verificar a veracidade e os interesses que podem estar por trás dela. Atualmente, todos somos criadores e/ou distribuidores de conteúdo, portanto, é imprescindível estarmos atentos tanto para não sermos manipulados quanto para não colaborarmos com essa inquisição do século 21.

Autora

Patricia Lages é autora de 5 best-sellers sobre finanças pessoais e empreendedorismo e do blog http://bolsablindada.com.br/. É palestrante internacional e comentarista do JR Dinheiro, no Jornal da Record.

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