Análise: Empoderamento feminino sem autovalorização não é nada

Muitas mulheres ainda não entenderam que não são bens materiais que as empoderam, mas sim, o reconhecimento e respeito por seu próprio valor

Gordon Johnson/Pixabay

“Peço seu conselho financeiro, pois não sei mais o que fazer...” Assim começa a mensagem enviada por uma leitora do meu blog que não tem nem mesmo ciência de que dinheiro é o menor de seus problemas. Ela continua:

“Sou independente e me considero empoderada. Sou formada, tenho apartamento e carro quitados e um ótimo emprego, enfim, não dependo de ninguém. Namoro há seis meses e desde a primeira semana ele veio morar aqui. Porém, minhas despesas aumentaram e ele não oferece ajuda. Outro dia pedi para ele buscar pão e não dei dinheiro. Ele foi, mas trouxe a nota. Fiquei tão ressentida que dei mais do que ele gastou para ver se ele se tocava, mas você acredita que ele colocou no bolso e sentou para comer? Já tentei entrar nesse assunto duas vezes, mas ele se ofende e ameaça ir embora. Fora isso ele é uma pessoa ótima, mas preciso saber o que fazer para ele me ajudar ou vou acabar me endividando.”

Infelizmente, esse não é um caso isolado. Perdi a conta das mensagens de mulheres que se acham empoderadas, mas permitem que aproveitadores de toda espécie as usem como bem quiserem. Há muitas coisas nas entrelinhas dessa mensagem que mostram claramente o quanto essa mulher – que se diz independente – se colocou na dependência de um homem que não tem o menor brio.

Neste caso, o apartamento é dela, o carro é dela, o dinheiro é dela, mas o controle da situação é 100% dele. Afinal, se ele não contribuir com nada, ela vai se endividar para continuar sustentando essa “pessoa ótima” que, ao se sentir ofendida, ameaça abandoná-la...

O verdadeiro empoderamento feminino requer autovalorização, pois sem isso, não passa de um termo batido e que já se tornou bem chato. A mulher que não valoriza a si mesma, que aceita qualquer homem só para não ficar sozinha e que acha que ser independente é apenas pagar suas próprias contas (e as dos aproveitadores), ainda não entendeu o que é empoderamento.

A mulher que se valoriza não precisa mostrar o corpo para chamar atenção, pois ela não dá a mínima para a opinião dos outros a respeito de seus atributos físicos, além do mais, ela respeita o próprio corpo. A mulher que se valoriza não aceita ser usada, nem chantageada, pois é bem resolvida psicologicamente e não se deixa levar por ameaças baratas. A mulher que se valoriza busca alguém para somar e multiplicar, não para dividir e sugar o que conquistou. A mulher que se valoriza sabe que quem não tem capacidade para respeitá-la não tem condições de se relacionar com ela.

Empoderamento é autovalorização. O resto é conversa.

Autora

Patricia Lages é autora de 5 best-sellers sobre finanças pessoais e empreendedorismo e do blog Bolsa Blindada. É palestrante internacional e comentarista do JR Dinheiro, no Jornal da Record.