Patricia Lages Análise: Emoção fala mais alto na hora da compra

Análise: Emoção fala mais alto na hora da compra

Ignorar os juros, não checar o valor total e não ler o contrato são comportamentos comuns conduzidos pela emoção

É preciso controlar a emoção para que a razão domine na hora de pensar a vida financeira

É preciso controlar a emoção para que a razão domine na hora de pensar a vida financeira

Tumisu / Pixabay

“Sei que é algo inútil e não tenho como pagar, mas passei o cartão porque achei fofo!”
“Eu não sabia que a prazo sairia tão caro!”
“Ninguém me disse que atrasando um mês eu já poderia perder o carro. O certo não são três meses?”

Essas são algumas frases muito comuns que recebo frequentemente em minhas redes sociais e no meu site de educação financeira. Elas demonstram que muitos deixam de raciocinar no momento da compra e, em maior ou menor grau, acabam colocando a si mesmos em apuros.

É certo que a experiência de comprar está mais ligada à emoção do que à matemática e, ciente disso, a publicidade trabalha muito mais focada nos sentimentos do que na real utilidade do que está sendo vendido. Uma propaganda de xampu, por exemplo, não se baseia em passar a mensagem de cabelos limpos e bem tratados, mas sim, em despertar nas mulheres o desejo de serem admiradas pelos homens e invejadas por outras mulheres. Pensando racionalmente, chega a ser até meio ridículo já que xampu nenhum, por si só, tem o poder de fazer isso, porém, não há como negar que a estratégia funciona.

A grande questão é quando o mercado de crédito se beneficia dessa grande neutralizadora da razão que é a emoção. É ela que faz com que um adulto passe o cartão de crédito para comprar algo de que não precisa, sabendo que não poderá pagar. É ela que faz com que pessoas que sabem fazer contas (e têm um celular com calculadora) aceitem parcelar um produto de R$ 1.000 em 18 vezes de R$ 120, sem perceberem que pagarão mais do que o dobro. E é ela a responsável pelas pessoas acharem totalmente desnecessária a leitura do contrato, afinal de contas, elas já estão saindo da loja com o que tanto queriam, acreditando que jamais terão problemas para pagar prestações a perder de vista.

Essas pessoas não compraram algo que não podiam porque foram enganadas por um vendedor, ou porque não foram informadas sobre a quantidade e o valor das prestações e nem porque o comerciante se recusou a entregar uma via do contrato. Na verdade, elas foram ludibriadas por suas próprias emoções.

Por esta razão, além de necessidade inegável de buscar educação financeira, as pessoas precisam compreender a necessidade de desenvolverem inteligência emocional. Enquanto continuarem baseando suas compras em sentimentos, não haverá conhecimento que as livre das más consequências de suas escolhas emocionais que, como temos visto, têm sido o alto endividamento das famílias e índices insustentáveis de inadimplência. É preciso racionalizar a forma de lidar com as finanças ou o atual cenário não mudará tão cedo.

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