Patricia Lages Análise: Em vez de criar, politicamente correto distorce e destrói

Análise: Em vez de criar, politicamente correto distorce e destrói

Sob a alegação de criar uma sociedade mais inclusiva, politicamente correto se apropria de ícones de sucesso para impor sua agenda

O ator Daniel Craig, o James Bond do cinema

O ator Daniel Craig, o James Bond do cinema

Divulgação

Hoje acontece a première mundial do mais novo filme de 007, intitulado Sem Tempo Para Morrer (No Time To Die), no Royal Albert Hall, em Londres. Uma das franquias de maior sucesso mundial exibia seu primeiro filme, 007 Contra o Satânico Dr. No, em 1962, no Reino Unido, tendo como protagonista um escocês até então praticamente desconhecido: Sean Connery.

Criado por Ian Fleming, James Bond, o agente secreto mais famoso do planeta, foi interpretado por Connery em seis filmes ao longo de nove anos, incluindo os icônicos Moscou contra 007, Só se vive duas vezes, 007 contra Goldfinger e Os diamantes são eternos. Depois dele, Bond foi interpretado por atores como Roger Moore, Timothy Dalton, Pierce Brosnan e Daniel Craig, que apesar de ter sido um dos mais criticados por seus cabelos loiros e sua altura (1,75m) ser considerada baixa para o papel, interpreta o agente do MI6 desde 2006.

Porém, o politicamente correto entrou em cena acusando o James Bond da década de 1960 como “estuprador”, conforme as palavras do diretor do novo filme, Cary Fukunaga. Para ele, em uma cena de Operação Relâmpago, lançado em 1965, o agente estupra uma enfermeira que lhe pede para guardar um segredo que colocaria seu emprego em risco. Em resposta, Bond diz: “Acho que meu segredo tem um preço”, e a empurra para uma sauna. Fica a critério de quem assiste imaginar o que teria acontecido entre ambos. Mas é preciso lembrar que se trata de um filme de 56 anos atrás, quando a sociedade via esse tipo de abordagem sob uma ótica completamente diferente.

Segundo Fukunaga, Sem Tempo Para Morrer será o filme com maior paridade entre personagens femininos e masculinos e, ao que consta, a personagem de Lashana Lynch – uma das duas mulheres negras do filme – será a heroína da história e, embora ela mesma tenha negado em uma entrevista, deverá assumir o papel de 007 daqui em diante.    

Sobre isso, em entrevista à Rádio Times, Daniel Craig questionou: “Por que uma mulher faria o papel de James Bond quando poderia haver um papel igualmente bom para ela que não seja o de Bond?” Para o ator, papéis femininos são igualmente importantes nos filmes da franquia e poderiam ser mais bem explorados nos próximos longas sem que o próprio protagonista seja destituído.

Porém, a semente de um Bond estuprador, além de homem-branco-hétero-opressor, já foi plantada e quem discordar do cancelamento do personagem será igualmente julgado pela inquisição do politicamente correto. Mas ficam as questões: se é nessa onda que as pessoas querem surfar, por que não criam seus próprios personagens e os transformam em novos ícones mundiais? Por que têm de se apropriar de tudo o que faz sucesso para distorcer com suas ideias que não passam de puro controle social? Que criem seus personagens lacradores e faturem por seus próprios méritos. Ah, mas quase me esqueço que quem lacra não lucra e que meritocracia para a turma do mimimi não existe. O que os campeões da inveja crônica querem é apenas pescar no aquário dos outros. Não criam nada, apenas destroem tudo.

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