Análise: Em busca de um coach para chamar de seu?

Vivemos em uma época onde, de um lado, grande parte das pessoas se sentem perdidas e, de outro, há coaches para tudo e mais um pouco. E aí?

Hoje em dia os coaches atuam nas mais diversas áreas

Hoje em dia os coaches atuam nas mais diversas áreas

Pixabay

Creio que você esteja familiarizado com o termo coach, uma espécie de mentor que pode atuar em diversas áreas dependendo de sua expertise. Os mais comuns trabalham em gestão, carreira, novos negócios, finanças, liderança etc. Mas você sabia que há coaches para assuntos como férias, emagrecimento, relacionamentos, família, aposentadoria e até felicidade?

A profissão vem sendo difundida à exaustão ao longo dos últimos anos e, em virtude disso, chega até mesmo a ser banalizada. Conheço pessoas sérias que atuam como coaches há mais de dez anos e até investiram em especializações no exterior, mas devido ao uso indevido do termo, optaram por excluir essa qualificação de seus currículos.

Hoje em dia, há quem faça um curso com oito horas de duração e já receba o diploma de coach do tema escolhido, não importando a idade e nem a experiência profissional. E, claro, quanto mais cursos, maior o leque de atuação. Com isso, temos um número enorme de teóricos que nem sequer imaginam como as coisas funcionam na prática. Gente que repete o que lhe disseram como se fossem papagaios, mas que, no fim das contas, não têm ideia do que aquilo significa.

Para maquiar a falta de conteúdo prático, as palestras de muitos desses profissionais se parecem mais com shows de entretenimento, com muita música, gritos de guerra e até stand up comedy. As pessoas saem dali cheias de emoção, descontraídas por terem passado um tempo recreativo, porém, ao voltarem à vida normal, continuam sem saber o que fazer...

Há alguns meses fui cortada de um programa onde eu deveria treinar pessoas para “reproduzirem” um dos meus cursos de finanças para microempresários. A questão é que esses “trainners”, ou seja, as pessoas que receberiam o treinamento para treinarem outras, não tinham o menor conhecimento sobre o assunto. O objetivo do programa era multiplicar o número de pessoas alcançadas e não a qualidade do conteúdo e nem a experiência de quem transmite esse conteúdo.

Mesmo que esses trainners estivessem endividados e não possuíssem uma microempresa, poderiam fazer o curso e, terminando o cumprimento da carga horária, receberiam um “diploma” de facilitadores em finanças e o direito de dar treinamento aos inscritos no programa. Quando me recusei a treinar pessoas nessas condições e questionei a falta de experiência e de propriedade sobre o assunto, recebi a informação de que meus serviços não seriam mais necessários.

A questão é que, como em vários segmentos, na área de coaching existe muito eco e pouca voz. Mas ainda que o eco chegue longe, só quem é voz pode fazer a diferença. Portanto, seja voz, não seja eco.