Análise: É sobre COntrolar a nossa VIDa

Por que uma doença com 0,23% de letalidade causa comoção jamais vista na história, enquanto outras que matam mais não são lembradas?

Combate à covid-19

Combate à covid-19

Benoit Tessier/Reuters - 20.04.2020

Parece que quanto mais se fala de inclusão e de respeito às minorias, mais se excluem pessoas e menos se respeita a maioria. Objetivo estranho esse... mas, vamos em frente, pois o assunto da coluna de hoje é o COntrole sobre a nossa VIDa.

Chega a causar perplexidade ver o mundo inteiro de joelhos diante de um vírus cuja letalidade é de 0,23%, segundo estudos do professor de epidemiologia da Universidade Stanford, John Ioannidis, divulgados esta semana. A comoção é tanta que muita gente nem sequer acredita, afinal, quem não sentiria uma vergonha imensa ao perceber que estamos passando por todo esse transtorno, incluindo a quebra da economia, por conta de uma doença que mata quatro vezes menos que o HIV, com o qual convivemos – e perdemos vidas – há décadas.

Se você tem a intenção de questionar o estudo, segure o ímpeto e faça antes uma conta simples. Segundo o IBGE, a população brasileira em 2020 já ultrapassa os 209 milhões, logo, 0,23% correspondem a 480 mil pessoas. O Ministério da Saúde, hoje, aponta que o número de mortes por covid-19 é de 155 mil, ou seja, ainda inferior ao percentual que o estudo aponta. Todas as 155 mil vidas perdidas importam, mas isso não muda o fato de que a letalidade do vírus é baixa. 

O CDC (Centers for Disease Control and Prevention), maior autoridade em saúde dos Estados Unidos, reviu recentemente as mais de 200 mil mortes no país que haviam sido atribuídas à covid-19 e concluiu que apenas 6% desse total são efetivamente secundárias à covid-19, isto é, o número real, segundo essa constatação, cairia para cerca de 12 mil mortes. E a pergunta que fica é: por que quase ninguém divulga esses dados com o devido destaque? A quem interessa que uma constatação dessa importância passe batida?

Há outras informações de suma importância que também têm sido subnotificadas, como as que se referem à vacina chinesa. Segundo dados divulgados pela própria China, a vacina desenvolvida naquele país causa efeitos colaterais em 5,37% das pessoas, percentual cem vezes maior do que o da vacina contra a poliomielite, que é 0,05%.

Vamos novamente recorrer à matemática, que é uma ciência exata. Fala-se em aplicar a vacina chinesa em 208 milhões de brasileiros, então, 5,37% desse total – mais de 11 milhões de pessoas – apresentarão efeitos colaterais, segundo informações do próprio fabricante. A pergunta que fica é: teremos leitos hospitalares e profissionais de saúde em número suficiente caso essa quantidade de pessoas necessite de atendimento? Ou agora não precisamos mais nos preocupar com o colapso do sistema de saúde?

Há também um questionamento bastante pertinente feito pelo neuro cirurgião Paulo Porto, em entrevista ao programa Pânico da Jovem Pan: “A China, só de EPI (Equipamento de Proteção Individual) exportou este ano mais do que a agricultura inteira brasileira. Qual é o país que tem, em estoque, EPI desse tanto, respirador desse tanto para exportar a pronta entrega a não ser que já previsse que seria necessário?”

Se as vidas de todos realmente importam, por que os governos de todo o mundo permitem que morram muito mais pessoas de fome há décadas? Por que nunca se mobilizaram para distribuir comida como estão se mobilizando para distribuir uma vacina que ainda nem passou por todos os testes necessários? E por que primeiro no Brasil e não no próprio país que criou a vacina a toque de caixa? Somos especiais assim desde quando?

Serão esses questionamentos apenas parte de uma grande teoria da conspiração? Serão apenas fruto da imaginação fértil dos chamados “negacionistas”? Será que a matemática deixou de ser uma ciência exata? Diante de tudo isso, cada um deve consultar a si mesmo e ponderar se está plenamente convencido de que todas essas medidas restritivas – que impedem a livre circulação, que definem os horários que podemos fazer tudo e qualquer coisa e que nos proíbe até mesmo de trabalhar – são atitudes em prol da vida. Vamos aproveitar que, por enquanto, raciocinar ainda é livre.

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