Patricia Lages Análise: Dilema das mulheres nos relacionamentos

Análise: Dilema das mulheres nos relacionamentos

Elas costumam dizer o contrário do que pensam esperando que os homens não façam o que dizem

Mulheres costumam dar os sinais errados, enquanto os homens apenas as seguem

Mulheres costumam dar os sinais errados, enquanto os homens apenas as seguem

Rodnae Productions/Pexels.com

De acordo com diversos estudos, a segunda maior causa de divórcio no mundo está ligada ao dinheiro, perdendo apenas para a traição. Dívidas, desalinhamento de objetivos e desequilíbrio de responsabilidades são algumas das causas. Em mais de dez anos de consultoria financeira para mulheres, percebo que, na maioria das vezes, são elas que costumam dar os sinais errados, enquanto eles apenas as seguem.

Um exemplo comum é que, durante o namoro, as mulheres propõem – antes que os homens tenham oportunidade de abrir a boca – que todas as despesas  do casal deverão ser divididas igualmente. O planejamento faz parte da natureza feminina e se há uma coisa da qual não abrimos mão é de estabelecer regras para deixar tudo “às claras”. Porém, definir as bases do relacionamento seguindo a cartilha do empoderamento feminino tem surtido o efeito contrário em grande parte dos casos.

A “etiqueta do empoderamento” determina que, assim que o garçom traz a conta, a mulher deve fazer questão de arcar com os 50% que lhe cabem. “É justo”, dizem elas, “direitos iguais”! Nas viagens, a mesma coisa: racham tudo.  E se alguma noite ele que não quiser sair por estar cansado, ela deve se oferecer para buscá-lo e depois deixá-lo em casa. Quem disse que só ele tem de esse trabalho, não é mesmo?

Como ela é independente e autossuficiente, logo propõe ao parceiro passar os fins de semana em sua casa onde, obviamente, ele não precisa fazer nada. Ela prepara tudo, paga tudo e dá conta de tudo. Muito moderno, muito comum, muito justo. Todos os sinais que essa mulher emite afirmam e confirmam ao parceiro que ela sempre tomará a frente das situações tudo, que ele não precisa se preocupar com nada e que, no máximo, deve arcar com metade de uma despesa ou outra. O resto é com ela!

O problema começa quando elas começam a se sentir usadas e a reclamar que seus parceiros não “se tocam”, que largam tudo em suas costas e não tomam a frente em coisa alguma. “Que banana”, elas reclamam, mas não percebem que eles estão agindo exatamente como foram “treinados” por elas.

Homens são práticos e diretos, com um pensamento linear, ou seja, que entende sim quando alguém lhe diz sim e não quando alguém lhe diz não. As mulheres, porém, querem dizer sim esperando que eles entendam que, na verdade, elas querem dizer não. Quando se oferecem para pagar a conta, esperam que eles digam que pagarão sozinhos. Dizem que não precisam de ajuda esperando que eles se ofereçam para ajudar.

Essa dinâmica simplesmente não funciona e o que confirma essa afirmação são as estatísticas: cada vez mais mulheres sendo arrimos de família e cada vez mais homens encostando-se nelas. Ao que tudo indica, a “cartilha da empoderada” tem surtido o efeito contrário, colocando um fardo cada vez mais pesado sobre os ombros das mulheres e fazendo com que elas se tornem cada vez mais confusas, ansiosas e frustradas. Viva o empoderamento feminino!

Autora

Patricia Lages é autora de 5 best-sellers sobre finanças pessoais e empreendedorismo e do blog Bolsa Blindada. É palestrante internacional e comentarista do JR Dinheiro, no Jornal da Record.

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