Análise: devemos viver por princípios ou por preferências?

Em meio à relativização de coisas que sempre foram certas, há quem tenha abandonado os princípios para viver em prol de preferências

A consciência age como juiz diante dos acontecimentos da vida

A consciência age como juiz diante dos acontecimentos da vida

Pixabay

Princípio, por definição, é algo que serve de base, regra moral, lei, proposição lógica fundamental sobre a qual se apoia o raciocínio. São os princípios morais que nos impedem de cometer desvios de caráter e que nos impelem a respeitar o próximo para vivermos em sociedade de forma harmoniosa. A consciência de cada um, quando formada por princípios sólidos, age como juiz diante dos acontecimentos da vida e, dessa forma, evoluímos como seres humanos, apoiados no nosso raciocínio.

No passado, as pessoas tinham claro em suas mentes que não era possível construir a verdade, pois ela simplesmente é. Porém, vivemos uma época em que os princípios estão sendo trocados pelas preferências. Hoje em dia, se alguém prefere acreditar em algo, ainda que seja totalmente irreal, abandona o princípio – a lógica racional – e batiza qualquer devaneio como “sua verdade”.

Mas a verdade propriamente dita vem de fatos, da exatidão e da autenticidade do que está conforme com a realidade, e não segundo as preferências de quem quer que seja. Mesmo assim, cada vez mais pessoas buscam viver fechadas em suas bolhas, tentando construir uma verdade a partir da negação do que é real.

Um exemplo é o caso de diversas mulheres que tenho atendido, que criam falsas realidades com respeito à vida amorosa, evitando a todo custo reconhecerem que vivem relacionamentos abusivos. São mulheres com uma carreira profissional bem-sucedida, que conquistaram sua independência financeira, mas que se veem obrigadas a sustentar seus “namoridos” que chegam toda sexta à noite, passam um fim de semana de rei (sem colaborarem com absolutamente nada), e voltam a ser solteiros na segunda-feira. Elas se obrigam a aceitar, pois sentem necessidade de provar que são poderosas, autossuficientes e que não precisam de nada nem de ninguém.

O princípio do casamento não existe, tanto que até inventaram uma nomenclatura para quem não é nem namorado – porque foi além – e nem marido – porque está aquém das responsabilidades. Mas diante da preferência de agradar à sociedade que, por sua vez, relativizou o casamento, o princípio foi deixado de lado.

Tenho visto vários movimentos feministas fazendo vistas grossas para a realidade de que essas mulheres estão sofrendo violência patrimonial. O princípio que caracteriza o abuso financeiro tem sido ignorado em prol da preferência por uma fala irreal de empoderamento e independência. Encorajar mulheres a aceitar esse tipo de relacionamento e pregar que o casamento não passa de uma instituição falida é, na verdade, desempoderar o sexo feminino pelo qual dizem lutar tanto.

Viver por princípios, hoje em dia, é remar contra a maré. Que tenhamos braços fortes para continuar remando...

Patricia Lages

É jornalista internacional, tendo atuado na Argentina, Inglaterra e Israel. É autora de cinco best-sellers de finanças e empreendedorismo e do blog Bolsa Blindada. Ministra cursos e palestras, tendo se apresentado no evento “Success, the only choice” na Universidade Harvard (2014). Na TV, apresenta o quadro "Economia a Dois" na Escola do Amor, Record TV. No YouTube mantém o canal "Patrícia Lages - Dicas de Economia", com vídeos todas as terças e quintas.