Patricia Lages Análise: “Desportuguês” é uma das bases do “desjornalismo”

Análise: “Desportuguês” é uma das bases do “desjornalismo”

Para impor narrativas vale tudo, desde o descompromisso com a Língua Portuguesa até o contorcionismo verbal

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Mais uma vez a Folha de S.Paulo usa um termo que nem sequer existe para continuar impondo sua narrativa de que tudo o que o governo federal faz é ruim, inclusive aquilo que é bom. Na visão de Vinicius Torres Freire a economia brasileira não melhorou, mas sim, apenas está dando “mais sinais de ‘despiora’”.

Porém, ao contrário da ginástica verbal utilizada para manter a militância acima de qualquer coisa, vale lembrar que há vocábulos presentes na Língua Portuguesa que podem ser empregados em casos como esse: descompromisso com o Estado (que não é sinônimo de Governo), descaramento (que é o antônimo de respeito) e até um não tão conhecido, mas providencial e que dispensa qualquer explicação: desavergonhamento, quem também pode ser representado pela variante desvergonhamento.

O crescimento das vendas no comércio no mês de abril, divulgado pelo IBGE ontem (08), foi registrado em tom fúnebre, afinal, a coluna já havia previsto que os resultados seriam piores. Ou será que seriam “desmelhores”? O artigo segue em sua função ingrata de dar boas notícias, usando a frase “Antes de passar às más notícias”, no melhor estilo “vamos tirar esses detalhes da frente para podermos falar do que realmente nos interessa”. Mas isso é apenas mais uma demonstração de que a turma do quanto pior melhor não mede esforços para cumprir sua missão.

O resumo dos dados apresentados na coluna também utiliza uma ginástica verbal, digamos, bem criativa: “a economia real não afundou”, “a gambiarra fiscal brasileira é tolerável”, “continua razoável acreditar que o PIB cresça 5% neste ano.” Que tristeza ter de dar notícias tão boas.... mas para reequilibrar os desânimos vem a torcida “desafavor”: “Sim, há riscos de que a gente vá para o vinagre a partir de 2022. A ameaça mais óbvia é a de um repique ainda mais assassino da epidemia.” Só mesmo esse “repique” para trazer o “desalívio” que tanto a Folha promove. “Desmaravilhoso”, não é mesmo?

Que o jornalismo brasileiro está na UTI há muito tempo não é novidade para quem está “desdormindo”, mas antes de descer à sepultura, ele conseguiu realizar um grande feito: dar à luz o seu primogênito, o “desjornalismo”. Aliás, seria essa uma prova de que algo masculino pode gerar vida? E não é que seres “desfemininos” também podem conceber? Quem diria que os esquerdopatas tinham razão... Mas não nos esqueçamos de dar os devidos créditos ao “desportuguês”, afinal de contas, sem ele nada disso seria possível.

Para terminar, vale a dica do gestor financeiro Henrique Bredda para matérias futuras: o desemprego ‘desdiminui’, a bolsa ‘descai’ e o dólar ‘dessobe’. Quanto a mim, só me resta desejar vida “deslonga” ao “desjornalismo”.

Autora

Patricia Lages é autora de 5 best-sellers sobre finanças pessoais e empreendedorismo e do blog Bolsa Blindada. É palestrante internacional e comentarista do JR Dinheiro, no Jornal da Record.

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