Análise: Deixem as crianças em paz

Erotização, incentivo à sexualização precoce, doutrinação ideológica de gênero, linguagem neutra e muita confusão. É a infância perdendo a inocência.

Segundo James J. Heckman, PhD, ganhador do Prêmio Nobel de Ciências Econômicas em 2000, “a aprendizagem começa na primeira infância e viabiliza a aprendizagem posterior; sucessos precoces criam sucessos posteriores, assim como insucessos iniciais resultam em insucessos futuros.” Logo, uma vez que se implanta confusão na cabeça de uma criança desde a primeira infância, fabrica-se um adolescente confuso e um adulto infantilizado.

Fala-se muito em ciência, porém, a cada dia são criados conceitos sem nenhum embasamento científico, querendo impor às crianças escolhas que elas simplesmente não estão preparadas para fazer. É como o movimento “theybies”, surgido nos Estados Unidos em 2018, que propõe que pais não possam mais chamar seus bebês de “babies”, para “não exercer pressão externa sobre sua sexualidade”. Também fica vetado tratá-los por “he” ou “she” (ele e ela em inglês), mas sim por “they” ou “them”, que são termos genéricos para ele e ela no singular e no plural. Caberia à criança, aos quatro anos de idade, “escolher o gênero com o qual se identifica”. Há mais informações sobre o movimento neste link.

A infância perdendo a inocência diante de discussões precoces sobre gênero e sexualidade

A infância perdendo a inocência diante de discussões precoces sobre gênero e sexualidade

Reprodução/Pixabay

No Brasil, de tempos em tempos projetos de lei tramitam pelas câmaras de vereadores, assembleias legislativas, congresso e senado federal com ideias travestidas de algo positivo – como respeito à diversidade e às minorias –, mas que podem abrir precedentes até mesmo para que pais percam a ingerência sobre seus filhos menores de idade.

Uma investida recente é o projeto do vereador transexual Benny Briolly (PSOL-RJ), protocolado em Niterói, que prevê que crianças e adolescentes solicitem o uso do nome social na matrícula escolar ou a qualquer momento, sem citar a necessidade de anuência dos pais. Devido à repercussão negativa, o vereador teria declarado que o projeto não impede o consentimento dos pais. Porém, desde 2018 o Ministério da Educação (MEC) permite que alunos maiores de 18 anos matriculem-se utilizando nome social, enquanto os menores de idade necessitam que a solicitação seja feita por seus representantes legais. Então, para que serve um projeto de lei para uma lei que já existe? Sendo assim, fica claro que, ao contrário do que o vereador afirma, o projeto é voltado aos menores de idade.

Ideias como essa só demonstram que há políticos muito mais preocupados com doutrinações ideológicas do que com o ensino em si. A cada ano a performance dos alunos brasileiros no Programa Internacional de Avaliação de Estudantes (Pisa) é pior. Em matemática, mais de 68% dos estudantes estão no pior nível de proficiência, ficando até mesmo abaixo do que é esperado para o nível básico. Entre 80 países, o Brasil ocupava a 65ª posição, mas na última edição do programa, despencou para a 70ª. E em Língua Portuguesa, 55% dos alunos não atingiram nem mesmo o nível básico, ou seja, até sabem decifrar as palavras, mas não conseguem compreender totalmente o que está escrito. Mas, para que nos preocuparmos com a falta de entendimento do próprio idioma quando todos os esforços estão em impor goela abaixo a tal “linguagem neutra”? Resta saber o que é mais absurdo: alunos que até leem, mas não entendem o que leem, ou usando uma linguagem estapafúrdia que não representa em momento algum sinal de respeito ao próximo. Ou será que se dissermos “’elu’ é ‘mesme’ idiota” seria uma demonstração de tolerância e boa convivência?

Cada vez mais alunos saem das escolas sabendo cada vez menos, mas a preocupação de alguns políticos está voltada a assegurar o “direito” de escolherem como querem ser chamados, de terem de optar cada vez mais cedo a qual gênero querem pertencer e a usar preservativos corretamente aos 12 anos de idade.

O futuro do ensino no Brasil está em jogo e é preciso que pais e sociedade estejam alertas sobre as agendas ideológicas que, supostamente “em nome da liberdade”, impõem ideias que não ajudam em nada na melhoria da educação de péssima qualidade que tem sido oferecida de norte a sul do país.

     
Autora

Patricia Lages é autora de 5 best-sellers sobre finanças pessoais e empreendedorismo e do blog Bolsa Blindada. É palestrante internacional e comentarista do JR Dinheiro, no Jornal da Record

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