Patricia Lages Análise: Crianças brasileiras fazem mais de três MBAs por ano

Análise: Crianças brasileiras fazem mais de três MBAs por ano

Tempo que crianças passam na internet equivale a mais de três pós-graduações e as tem tornado experts em matar tempo

Dia das Crianças: venda de celulares dobrou em 2019

Dia das Crianças: venda de celulares dobrou em 2019

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Apesar de as redes sociais, como Facebook, Instagram e TikTok, terem classificação indicativa de idade a partir de 13 anos, cada vez mais cedo as crianças têm acesso a elas. Em 2019, as vendas de smartphones no Dia das Crianças subiram 125% em relação a 2018, o que indica que o celular virou uma espécie de brinquedo.

Porém, ainda que muitos pais aleguem que o uso do celular é um mecanismo de segurança para os filhos, especialistas apontam uma série de prejuízos à saúde física e mental das crianças. A obesidade e a desidratação são duas condições estreitamente ligadas ao uso prolongado da tecnologia. Por um lado, a criança ingere alimentos distraidamente, sem se dar conta das quantidades e, por outro, se esquece de tomar água ou até mesmo evita a bebida para não ter de parar para ir ao banheiro. Estudos também associam o uso prolongado do celular a problemas de visão — como miopia, astigmatismo e hipermetropia — e desvios posturais que podem resultar em problemas de coluna — como hérnias de disco — em idade precoce.

Para o psicoterapeuta, escritor e palestrante Leo Fraiman, as redes sociais viciam e causam diversos prejuízos. “Há aplicativos que usam a incapacidade que a criança tem de discernir entre bem e mal, fantasia e realidade, o que é saudável e o que não é. Há uma genialidade do mal por trás disso tudo, que vicia e adoece as crianças”, afirma Fraiman.

O psicoterapeuta informa que os limites seguros para que as crianças acessem a tecnologia variam conforme a idade, porém, raramente são respeitados. Para ele, uma criança só deve acessar essas telas depois dos 6 anos de idade. Entre 6 e 12 anos, o limite deve ser de meia hora e, aos 13 anos, uma hora por dia.

“As crianças brasileiras passam facilmente das seis horas diárias, o que é demais. Mas, sendo bem conservadores, vamos considerar que uma criança acesse a internet durante três horas por dia. Significa que ela passa 90 horas por mês conectada, o que soma 1.080 horas em um ano. São três MBAs que tornam as crianças especialistas em distração, narcisismo, irritabilidade e um enorme vazio. Elas viram experts em matar tempo, o que é totalmente diferente de passar tempo. Enquanto passatempos são saudáveis, matar tempo nunca é”, finaliza.

É preciso que pais e responsáveis estejam atentos aos limites que visam proteger as crianças dos celulares e reavaliem se a segurança que eles trazem não é uma mera sensação.

Autora

Patricia Lages é autora de cinco best-sellers sobre finanças pessoais e empreendedorismo e do blog Bolsa Blindada. É palestrante internacional e comentarista do JR Dinheiro, no Jornal da Record.

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