Patricia Lages Análise: Complexo de vira-lata mesmo em plena pandemia

Análise: Complexo de vira-lata mesmo em plena pandemia

Reino Unido sem combustíveis, China com apagões, Apple e Tesla atrasam a produção, mas o problema é só no Brasil

Complexo de vira-lata mesmo em plena pandemia

Complexo de vira-lata mesmo em plena pandemia

Pixabay

Enquanto os efeitos das paralisações provocadas pela pandemia da Covid-19 estão se refletindo no mundo todo, a velha mídia brasileira insiste em propagar que só o Brasil não está sabendo lidar com a crise que abalou o planeta inteiro.

Por aqui, a ordem do dia é colocar cada vez mais lenha na fogueira da guerra política com ajuda da mídia recalcada que perdeu as verbas gordas – pagas com dinheiro público – que estavam acostumadas a receber. Assim que as torneiras se fecharam, as comportas das narrativas se abriram, criando uma atmosfera fantasiosa de que, enquanto todo mundo se recupera e não sofre mais com a pandemia, o Brasil afunda sozinho a cada dia.

Os noticiários se reduziram a poucas palavras: Covid, mortes, pandemia, inflação, desemprego, vacina, Bolsonaro genocida. Repetidas milhares de vezes por dia, sempre com a maior conotação negativa possível, o jornalismo monotemático se limita a falar da derrocada de um único país e de apontar um único culpado para todas as mortes ocorridas por aqui (as mortes em outros países foram apenas uma fatalidade). Qualquer fato positivo é minimizado, mal explicado ou distorcido mesmo.

Isso tem feito com que a verdade seja posta de lado, enquanto narrativas ganham força aproveitando-se de ginásticas estatísticas e linguísticas para parecerem legítimas. Mas, enquanto acabam com a imagem do país, dados apontam que o Brasil é o terceiro país que mais vacinou no mundo (informações de agosto do painel Our World in Data), ficando atrás apenas da China e da Índia.

Boa parte do mundo enfrenta a alta da inflação, impulsionada pelos aumentos nos preços de commodities no mercado internacional, falta de insumos por conta das paralizações que interromperam diversas cadeias produtivas e pela alta demanda em alguns setores. Esse é um efeito óbvio: produção menor e aumento de demanda geram preços mais altos. Não só aqui, mas em todo o mundo.

O Reino Unido enfrenta uma grave crise nos combustíveis, com o Exército nas ruas para tentar conter o pânico das pessoas (que fazem longas filas para abastecer seus carros) e amenizar os efeitos da falta de caminhões circulando que, por sua vez, atrapalha a vida de milhões de pessoas. A China sofre apagões há meses, o que tem feito a população recorrer ao uso de velas em pleno 2021. Você pode imaginar o que a imprensa estaria gritando se esse tipo de coisa estivesse acontecendo aqui?

Até as gigantes Apple e Tesla estão com suas produções atrasadas por falta de componentes. O iPhone 13 tem demora de mais de um mês na entrega, enquanto a Tesla deve adiar o lançamento de seu veículo elétrico para 2022. Ou seja, tanto as grandes economias quanto as maiores corporações do mundo estão sendo atingidas pelos efeitos da pandemia e não apenas o Brasil.

Com todas as dificuldades que temos, com uma máquina pública morosa e caríssima e cercados de políticos aproveitadores que só têm olhos para 2022, ainda assim, estamos em uma situação melhor que a de muitos países com economias mais fortes (e menos saqueadas) do que a nossa.

Seria muito mais produtivo se a guerra política e de narrativas fosse colocada de lado e que nós, o povo, fôssemos o foco principal de tudo isso, como os políticos dizem que somos. Porém, esse não é o tipo de coisa que vai acontecer, pois no Brasil de hoje, tal qual no de ontem, o lema é sempre “quanto pior, melhor”.

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