Patricia Lages Análise: Ciência usada apenas como reforço de narrativas

Análise: Ciência usada apenas como reforço de narrativas

Ciência tem sido mais usada como reforço de narrativas do que para esclarecer. Até quando a politização vai estar acima da vida?

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Remédios sofrem tentativa de banimento

Remédios sofrem tentativa de banimento

George Frey/Reuters - 27.05.2020

Grande parte das vezes que o tratamento precoce contra a covid-19 é citado vem seguido da informação “sem comprovação científica”. Sim, é verdade, não há consenso científico sobre a eficácia do tratamento precoce, mas aqui vai outra verdade: também não há consenso científico em relação ao lockdown. Mas enquanto um é defendido, o outro é demonizado.

Os fatos apontam que o lockdown aumentou drasticamente a pobreza e que, segundo a Oxfam e a ONU (Organização das Nações Unidas), mais pessoas morrerão de fome no mundo do que de covid-19. Até mesmo a OMS (Organização Mundial de Saúde) se posicionou contra a implementação da medida em países pobres onde há insegurança alimentar e fome. Mas, na contramão dos fatos, políticos adeptos do fechamento total – que, diga-se de passagem, lhes confere um poder que nunca tiveram somado à licença de contratarem o que quiserem pelo preço que quiserem – decretam “quarenterna”, sem nenhuma comprovação científica, sob o pretexto de estarem salvando vidas.

As vidas de quem pega ônibus lotado todo santo dia não importam, pois, qual é o prefeito ou governador que peitou os donos das companhias de transporte para que mantivessem a frota toda na rua para evitar aglomerações? Ao contrário, permitiram e continuam permitindo a redução da circulação, alegando que há menos pessoas nas ruas. Mas é preciso ser um gênio para saber que menos pessoas com menos ônibus dá na mesma? E qual é a ciência que comprova que aglomeração em comércio é diferente de aglomeração em ônibus? Afinal de contas, se em um lugar pode e em outro não, deve haver alguma diferença que ainda não nos explicaram.

Há inúmeros tratamentos utilizados há décadas e até mesmo há séculos – como é o caso da fitoterapia – que não possuem comprovação científica, mas que não sofrem nenhum tipo de boicote. Há diversos medicamentos à venda no mercado à base de plantas como guaraná, sene e ginseng, que trazem estampada nos próprios rótulos a citação “sem comprovação científica”.

Enquanto a fitoterapia prega o uso de plantas para o bem da saúde e a cura de algumas doenças, é sabido que existem espécies altamente tóxicas como comigo-ninguém-pode, mamona e mandioca-brava, para citar apenas três. Há pessoas apenas passam mal com os efeitos de plantas como essas, mas outras podem chegar a óbito, dependendo do organismo de cada um. Nem por isso a fitoterapia é demonizada, assim como a cromoterapia e outros tantos tipos de tratamentos alternativos. Quem quer faz, quem não quer busca outra alternativa.

O que chama a atenção na questão do tratamento precoce contra a covid-19 é sua proibição e sua tentativa de banimento, ainda mais quando isso vem da classe política e da grande mídia que se limitam a repetir diuturnamente que não se pode fazer uso de um tratamento sem comprovação científica como se isso fosse empregado para todo tipo de prescrição médica.

A população já perdeu inúmeros direitos e, dentre eles, o de decidir o que pode e o que não mesmo quando o assunto é sua própria saúde e o que pode ou não fazer com a sua própria vida, ainda que não atente contra a saúde ou a vida de terceiros. Quais surpresas mais o futuro nos reserva?

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