Análise: Capitalismo, socialismo e comunismo em poucas palavras

Os sistemas políticos de esquerda e direita sempre foram discutidos por seus antagonismos, mas sobre quais bases se sustentam?

Capitalismo, socialismo e comunismo tratam propriedade e riqueza de formas diferentes

Capitalismo, socialismo e comunismo tratam propriedade e riqueza de formas diferentes

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A esquerda tem como base os princípios do socialismo e do comunismo que, em rápidas palavras, significa privilegiar o coletivismo em detrimento do indivíduo. O sistema promove o domínio estatal da economia com o fim da iniciativa privada, onde todos os meios de produção são controlados exclusivamente pelo governo, bem como todos os setores da vida social. A propriedade privada não é reconhecida, pois o estado dita as normas e os direitos dos cidadãos, distribuindo renda segundo sua determinação sob um ideal de igualdade acima de tudo.

A direita, por sua vez, se baseia no capitalismo, que prioriza a liberdade do indivíduo e defende a propriedade privada, prezando pelo livre mercado e pela menor intervenção possível por parte do governo. Prega o conservadorismo e defende a família, a ciência, a fé individual e a igualdade de direitos perante a justiça. Já o desenvolvimento econômico se dá por meio da meritocracia. Nele, as liberdades individuais devem ser praticadas com responsabilidade, onde cada cidadão age segundo suas convicções e lida com as consequências de suas escolhas.

Políticas de direita tendem a gerar maior desenvolvimento econômico pela ação direta de iniciativas privadas, enquanto as de esquerda priorizam o bem-estar social com garantias fornecidas pelo estado. Para ilustrar o que isso significa na prática, temos a já conhecida analogia das vacas: um cidadão tem duas vacas através do fruto de seu trabalho ou por tê-las herdado de sua família que, antes dele, trabalhou pela posse dos animais. Diante desse fato, cada regime atua de forma diferente.

No socialismo, o estado não reconhece o direito de propriedade privada, confisca uma das vacas e a entrega para outra pessoa que não tem nenhuma. Não importa que o outro nunca tenha trabalhado ou jamais tenha feito qualquer esforço para ter uma vaca, pois apenas o fato de não a ter é suficiente para que o governo intervenha e pratique o que chama de “justiça social”. Esse conceito tenta se apoiar no fato de que o dono das duas vacas só as possui porque explorou alguém que não teve igualdade de oportunidades, seja por questões sociais, raciais, acadêmicas, geográficas ou qualquer outro motivo.

No comunismo, o estado também não reconhece o direito de propriedade privada, mas confisca as duas vacas, tornando-as propriedade do governo. Em contrapartida, o próprio estado determina quanto leite cada indivíduo vai receber, tomando o cuidado de entregar a cada um a quantia suficiente apenas para garantir que os cidadãos não morram de fome. Dessa forma, a população depende 100% da provisão do estado que detém o controle de tudo.

No capitalismo, o direito de propriedade é respeitado e o dono das vacas é levado a empreender, multiplicando seu patrimônio e empregando outras pessoas nessa tarefa. A venda do leite é feita segundo as leis da oferta e da procura e as opções de negócio podem ser ampliadas com a venda de uma vaca para comprar um touro podendo formar um rebanho, o que geraria mais fontes de renda e mais empregos, onde o pagamento de cada trabalhador se dá por seus próprios méritos, segundo sua capacidade. O estado intervém minimamente e financia suas ações sociais pelo recebimento de impostos do dono do negócio e de seus colaboradores. Cada indivíduo sobrevive do que produz.

Como grande parte das pessoas vive na cidade, esse exemplo é um tanto distante e, por conta disso, pode até parecer justo. Mas para inserir a maioria das pessoas nesse exemplo, podemos dizer que, no socialismo, se você tem um cômodo sobrando na sua casa, o governo pode tomá-lo para cumprir a “função social” do seu imóvel e cedê-lo para que qualquer pessoa que não tem, more nele. E o comunismo tomaria a casa toda e diria onde você pode morar. O mesmo funciona para todo o resto e suas posses já não seriam mais suas. Aliás, a sua liberdade também não, afinal, você não faria mais nada sem o controle do estado.

Os sistemas canhotos só conseguem fazer sentido na cabeça das pessoas por meio da criação de histórias fantasiosas, mas a verdade é que simplesmente não é possível ter um mundo livre sem que haja liberdade. A esquerda prega uma liberdade que não existe em seus regimes de governo, mas as pessoas andam distraídas demais para perceber, pois estão totalmente imersas em suas lutas em defesa de bandeiras que, no fundo, apenas alimentam o ódio e servem como uma grande cortina de fumaça para encobrir um plano muito maior.

Um governo com o poder de decidir tão invasivamente sobre a vida das pessoas, controlando até mesmo a forma como pensam é o maior perigo possível para a liberdade defendida pela democracia. A esquerda não é democrata, nem por definição, nem por prática e, apesar de isso estar escancarado para quem quiser ver, surpreendentemente muitos não conseguem enxergar.

É como bem definiu Edmund Burke: “Um povo que não conhece a sua história está condenado a repeti-la.”

Autora

Patricia Lages é autora de 5 best-sellers sobre finanças pessoais e empreendedorismo e do blog Bolsa Blindada. É palestrante internacional e comentarista do JR Dinheiro, no Jornal da Record.