Patricia Lages Análise: Brincadeiras virtuais prejudicando empregos reais

Análise: Brincadeiras virtuais prejudicando empregos reais

Tiktokers americanos fazem encomendas e propõem desafios aos entregadores para avaliar seus serviços

Entregador de empresa americana teve de fazer dancinha

Entregador de empresa americana teve de fazer dancinha

Reprodução

Se perguntássemos a qualquer pessoa alguns anos atrás quais seriam os critérios para avaliar um serviço de entrega, os aspectos a ser considerados girariam em torno de agilidade, tipo de embalagem, cuidado no transporte, apresentação e até a simpatia do entregador. Mas, certamente, o quesito dançar bem não estaria entre os pontos de atenção. Bem, não estaria, mas agora está.

Pelo menos é o que aponta uma tendência que tem crescido nas últimas semanas, nos Estados Unidos, entre usuários do TikTok. No aplicativo, que é focado em vídeos curtos e criativos, os chamados tiktokers promovem diversos desafios entre si, sendo vários deles ligados a danças.

A nova onda é desafiar entregadores a fazer uma “dancinha” no momento da entrega. Mas o que é apenas uma brincadeira divertida para alguns tem gerado problemas aos profissionais que não se sentem confortáveis para, literalmente, entrar na dança. Porém, para além do desconforto, a não aceitação do desafio tem refletido negativamente em suas avaliações.

O que ocorre é que, mesmo que os serviços tenham sido realizados de forma satisfatória, quem não cumpre o desafio recebe pontuação baixa ou avaliação negativa. Entregadores que sofrem baixa em sua pontuação média podem ter a remuneração reduzida e, caso recebam muitas avaliações negativas, é possível até mesmo perder o emprego.

No ano passado, o TikTok já havia ultrapassado a marca de um bilhão de usuários ativos por mês e, segundo o Talle Radar, vem se consolidando cada vez mais como uma ferramenta de tendências de marketing, consumo e comportamento, definindo com assertividade, por exemplo, quem será o próximo artista de sucesso.

Sabemos que os algoritmos das redes sociais têm promovido a criação de bolhas que funcionam, para muitos, como uma espécie de mundo paralelo, no qual o virtual pode estar totalmente descolado do real. Há brincadeiras e desafios virtuais que, embora sejam inofensivos para uns, podem ser altamente prejudiciais para outros.

Não há dúvida de que o mundo caminha para o isolamento social, trocando as interações pessoais por contatos virtuais, mas é preciso entender que, por mais que qualquer pessoa possa se sentir confortável dentro da própria bolha, existe um mundo real em que as consequências do que se faz virtualmente também contam.

Os textos aqui publicados não refletem necessariamente a opinião do Grupo Record.

Últimas

    http://meuestilo.r7.com/patricia-lages