Patricia Lages Análise: Brasil precisa rever seus heróis em prol da sanidade mental da nação

Análise: Brasil precisa rever seus heróis em prol da sanidade mental da nação

Quem se lembra de Heley de Abreu, Leiliane Silva ou sabe quem foi Oswaldo Aranha? O Brasil não carece de heróis, mas de reconhecê-los

Como se sairiam os alunos no Enem?

Como se sairiam os alunos no Enem?

Pixabay

Se alguém disser que não conhece Anitta, nunca ouviu falar em Pablo Vittar e pensa que Big Brother é uma referência ao Grande Irmão da obra distópica 1984, de George Orwell, será considerado um extraterrestre. Mas, se você mora em Marte ou apenas tem coisa melhor para fazer, aqui vai um resumo sobre os heróis brasileiros que possuem milhões de seguidores.

Anitta é uma cantora celebrada por “representar o Brasil no exterior”. Em uma entrevista há pouco mais de dez dias, nos Estados Unidos, ela cumpriu seu papel dizendo que os brasileiros “só querem se divertir e transar”. A cantora também revelou ser “uma pessoa muito livre” e que só não transaria com homens casados, mas poderia fazê-lo com “mulheres e cachorros”.

Já Pablo Vittar, em 2020, recebeu o prêmio de Homem do Ano da revista GQ Brasil e, em 2021, o de Melhor Cantora. No mesmo ano, houve protesto de seus fãs por causa de o SBT ter a cantora como finalista do prêmio de Melhor Cantor. Um erro quase imperdoável, embora ninguém tenha reclamado da premiação da GQ.

Como já há muita informação a ser digerida em um texto só, pulemos o Big Brother e vamos ao que realmente interessa: alguns dos verdadeiros heróis brasileiros, cujos nomes já foram esquecidos ou nem sequer chegaram aos ouvidos da maioria da população.

Heley de Abreu Silva Batista tinha 43 anos quando, literalmente, deu a vida por seus alunos. A professora de uma creche em Janaúba, Minas Gerais, morreu ao salvar crianças de um incêndio criminoso. Em outubro de 2017, um vigia invadiu a sala de aula de Heley, jogou gasolina no chão e ateou fogo. Para salvar as crianças, a professora lutou contra o homem em chamas, teve 90% do corpo queimado e não resistiu.

A vendedora Leiliane Silva é portadora de uma doença pouco conhecida, chamada MAV (malformação arteriovenosa), que a impede, entre outras coisas, de fazer força. Mesmo assim, em 2019, aos 28 anos, ela socorreu o motorista do caminhão que colidiu com o helicóptero acidentado e vitimou o jornalista Ricardo Boechat e seu piloto. Enquanto Leiliane tentava libertar o homem dos escombros, várias pessoas faziam selfies com o acidente ao fundo.

Oswaldo Aranha (1894-1960) é o responsável pela tradição que se mantém até hoje de o primeiro orador da reunião anual da Organização das Nações Unidas ser um brasileiro. Em 1947, Aranha chefiou a delegação brasileira na ONU e foi peça fundamental para a criação do Estado de Israel. Segundo a Agência Senado, ele também participou ativamente de negociações com os Estados Unidos que estimularam a industrialização brasileira na época, incluindo o setor siderúrgico.

Se a questão caísse no Enem, a porcentagem de estudantes que saberiam responder quem foi Oswaldo Aranha não seria tão expressiva assim. Já se o assunto fosse Anitta, a biografia provavelmente estaria na ponta da língua da maioria.

O Brasil não carece de heróis, mas sim de reconhecer quem são eles.

Os textos aqui publicados não refletem necessariamente a opinião do Grupo Record.

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