Patricia Lages Análise: Atriz vive casamento aberto, mas engravidar outra, não

Análise: Atriz vive casamento aberto, mas engravidar outra, não

Ainda que os valores sejam menosprezados por uma sociedade que se julga ultramoderna, o senso de justiça prevalece no ser humano

  • Patricia Lages | Patricia Lages, do R7

Relacionamento aberto, 'pero no mucho'

Relacionamento aberto, 'pero no mucho'

Pixabay

A atriz Fernanda Nobre, 38 anos, revelou em suas redes sociais que vive um casamento aberto com o diretor José Roberto Jardim, de 44. Juntos há nove anos, o casal decidiu abrir o relacionamento para a entrada de outras pessoas há cerca de três, mas, em entrevista ao Extra, Fernanda revelou que se o marido engravidasse outra mulher “seria uma rasteira, um baque na lealdade e na confiança”.

Perguntada se um relacionamento aberto poderia ser considerado traição, a atriz respondeu: “Na minha concepção, engravidar outra mulher é inconcebível. É uma quebra grave do pacto de lealdade com meu companheiro. Cada casal tem o seu pacto, inclusive as pessoas que são monogâmicas. Mas a ideia que as pessoas tradicionalmente têm de traição costuma ser diferente da minha. O conceito de fidelidade é muito arraigado de moralidade. Eu prefiro falar em lealdade.”

Entender que sentido essa afirmação poderia ter não é uma tarefa fácil. Afinal, não há como existir lealdade sem fidelidade. E a coisa fica ainda mais complicada quando a moralidade é mencionada de forma negativa, mas, ao mesmo tempo, se impõe uma condição baseada justamente nela.

O significado das palavras tem o objetivo de explicar o sentido, o conceito e a aplicabilidade dos termos na vida prática. Porém, em uma sociedade doente, que nega a verdade para impor a mentira, muita coisa vem sendo distorcida sob o manto da “ressignificação” que, por sua vez, promoveria a “modernização” do entendimento sobre a vida em si. Pura balela.

O senso de justiça existe dentro de cada um de nós. Não é um opcional, mas, sim, um item de fábrica. É por causa desse senso interior que até os bandidos mais inescrupulosos têm suas regras de conduta. Entre eles, os valores instituídos desde que o homem foi formado têm de ser mantidos e cumpridos à risca, a única diferença é que o que consideram para si desconsideram para os outros. Eles podem roubar, trapacear e trair, mas não aceitam ser roubados, trapaceados ou traídos.

O mesmo acontece com as invencionices de quem se julga ultramoderno: praticam uma coisa, mas cobram dos outros aquilo que não fazem e, além disso, dizem não dar valor ao que é justo, ao mesmo tempo que estabelecem regras de justiça. A questão é que o senso de justiça que todo ser humano tem não é solúvel em modernidade nem em narrativas. Portanto, ainda que surjam ressignificações e conceitos mirabolantes, nada tirará das pessoas a consciência do que é certo e do que é errado.

Os textos aqui publicados não refletem necessariamente a opinião do Grupo Record.

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