Análise: Atitudes medianas não geram pessoas acima da média

Desde que entramos para a escola somos avaliados pela média, sem recebermos estímulos para buscarmos ser acima da média. O que fazer?

É preciso quebrar o padrão mental mediano imposto a nós

É preciso quebrar o padrão mental mediano imposto a nós

Pixabay

Por que são poucas as pessoas que se destacam no mercado de trabalho ou no empreendedorismo? Mais do que isso: por que o número de pessoas que conquista o que sonha é menor ainda? Porque somos, em praticamente tudo, encorajados a aceitar que estar na média é o suficiente. Somos levados a seguir a multidão para sermos aceitos e até mesmo para sermos considerados “normais” e não “criarmos caso” com ninguém.

Quem tem notas médias, passa de ano na escola, no ensino médio, na faculdade. Quem tem um emprego mediano de “carteira assinada”, ainda que lhe permita apenas pagar as contas e viver no aperto, é aconselhado a se considerar um felizardo, afinal, há quem esteja em situação pior.

A nossa cultura não nos incentiva a sermos além da média. Ao contrário, isso pode ser visto como arrogância, prepotência, ambição desmedida e por aí vai. Somos desestimulados a fazer as coisas de forma diferente do que nos é dito e, diga-se de passagem, somos ensinados dentro de um padrão preestabelecido, mesmo sendo pessoas totalmente diferentes e com habilidade e talentos diversos.

Talvez essa seja uma das razões pelas quais, em termos de inovação, estamos aquém do que poderíamos pelo simples fato de vivermos em um país com mais de 200 milhões de habitantes, enquanto Israel, por exemplo, tem uma população inferior a 9 milhões, mas se destaca em vários segmentos.

O dispositivo que você está utilizando agora para ler esta coluna foi criado por pessoas acima da média. As tecnologias que nos trazem conexão, conhecimento e conforto foram propostas por pessoas acima da média. O que você espera que aconteça no futuro para melhorar o mundo será desenvolvido por pessoas acima da média.

É preciso sair da zona de conforto e tomar atitudes diferentes para se obter resultados diferentes. Mas para isso, é imperativo quebrar o ciclo de aceitação do mediano, não em termos do que o outro oferece, mas em termos do que cada um de nós faz, oferece e é. De nada adianta cobrar atitudes e resultados extraordinários dos outros, como é comum acontecer na nossa sociedade, mas não ter a mesma cobrança em relação a nós mesmos.

É preciso quebrar o padrão mental mediano imposto a nós desde que nos conhecemos por gente. É necessário sair do lugar comum, ter coragem para agir além da média e resiliência para vencer toda resistência que certamente se levantará. É difícil? Muito! Vale a pena? Sim, vale todo e qualquer desconforto!

Faça do seu 2020 o ano da força, afinal de contas, objetivos acima da média só serão conquistados por pessoas fortes e dispostas a lutar para estarem acima da média.

Patricia Lages

É jornalista internacional, tendo atuado na Argentina, Inglaterra e Israel. É autora de cinco best-sellers de finanças e empreendedorismo e do blog Bolsa Blindada. Ministra cursos e palestras, tendo se apresentado no evento “Success, the only choice” na Universidade Harvard (2014). Na TV, apresenta o quadro "Economia a Dois" na Escola do Amor, Record TV. No YouTube mantém o canal "Patrícia Lages - Dicas de Economia", com vídeos todas as terças e quintas.