Análise: Amizade não tem preço? Agora tem sim

Pode ser que você ainda tenha amigos reais que não lhe cobrem nada por isso. Mas para ter amigos virtuais influentes é melhor preparar o bolso

Programa cobra mensalidade de quem quiser fazer parte de seus “close friends”

Programa cobra mensalidade de quem quiser fazer parte de seus “close friends”

Pixabay

A partir deste domingo (22), a instagrammer Virgínia Fonseca – com mais de 4,7 milhões de seguidores – lança uma proposta que, por aqui, ainda é novidade: cobrar uma mensalidade de quem quiser fazer parte de seus “close friends”. Os assinantes pagarão de R$ 14,90 por mês e a promessa é de que terão acesso a conteúdos exclusivos que vão desde dicas de beleza até informações de como ser bem-sucedido no Instagram, plataforma que obviamente ela domina.

Pagar para saber da vida dos outros não é novidade, afinal, durante décadas o mercado editorial lucrou alto com revistas de fofocas sobre e celebridades. Outros assuntos como moda, beleza, alimentação etc. também renderam grandes títulos, mas com o advento da internet, esse conteúdo migrou para as redes sociais e qualquer um pode produzir. Até aqui, nada de mais. Até porque, quem cria conteúdo investe seu tempo e conhecimento, além de, muitas vezes, arcar com custos de equipe e equipamento.

Sem sombra de dúvida, essa será a tendência de agora em diante. Isso porque os influenciadores já perceberam que não dá para viver apenas de publiposts, ou seja, de postagens pagas por patrocinadores. Diante disso, será preciso criar novas formas de “monetizar” em cima de uma profissão que ainda é muito nova, mas que já está se consolidando no mercado.

Como em tudo o que se refere a conteúdo, há os que valerão a pena pagar para acessar e os que apenas existirão para morder uma fatia do orçamento já tão apertado dos brasileiros oferecendo nada mais que amenidades (para não dizer, bobagens). O que você acha que vai ser mais popular nessa nova onda de conteúdo pago: os que oferecerão ensino e conhecimento ou os que serão puro exibicionismo? Pergunta fácil de responder, não é mesmo?

Esse é mais um item para os pais estarem atentos ao que seus filhos veem na internet. Isso porque, se você podia ver a qualquer hora o que seus filhos acompanham nas redes apenas entrando nos perfis ou canais, agora não poderá mais, a não ser que seja usando a conta liberada deles mesmos ou que também pague para ser “amigo” dos influenciadores.

Nem vou entrar no mérito de ter de pagar para ser amigo de alguém em um mundo com mais de sete bilhões de seres humanos, mas sim, de que esta pode ser mais uma forma de você – pai ou mãe – não ter a menor ideia do tipo de conteúdo a que seus filhos estão se expondo nas redes. E tudo isso por apenas R$ 14,90 por mês.

Patricia Lages

É jornalista internacional, tendo atuado na Argentina, Inglaterra e Israel. É autora de cinco best-sellers de finanças e empreendedorismo e do blog Bolsa Blindada. Ministra cursos e palestras, tendo se apresentado no evento “Success, the only choice” na Universidade Harvard (2014). Na TV, apresenta os quadros "Economia doméstica" no programa "Mulheres" TV Gazeta e "Economia a Dois" na Escola do Amor, Record TV. No YouTube mantém o canal "Patrícia Lages - Dicas de Economia", com vídeos todas as segundas e quartas.