Patricia Lages Análise: Alunos do ensino médio têm pior desempenho da história

Análise: Alunos do ensino médio têm pior desempenho da história

Com fechamento das escolas, alunos saem com defasagem de 6 anos e secretário diz não haver previsão para recuperar o que foi perdido

Estudantes voltaram às aulas após o pior período da pandemia

Estudantes voltaram às aulas após o pior período da pandemia

Edu Garcia/R7 - 11.02.2022

Segundo a Secretaria de Educação do Estado de São Paulo, os alunos do ensino médio tiveram o pior desempenho da história em 2021. O fechamento das escolas deixou professores sem condições de lecionar e alunos sem possibilidade de aprender por um período que ultrapassou – e muito – as “duas semaninhas necessárias para achatar a curva”.

Depois de dois anos cheios de restrições, mas vazios de providências para amenizar as perdas, chega agora mais uma das muitas contas que a política do “fique em casa” rendeu. A história de que tudo mais “a gente vê depois” fechou os olhos para o fato de que a população passou a enfrentar situações insustentáveis, gerando prejuízos irreparáveis.

Como garantir computador e internet para as pessoas trabalharem em casa e, ao mesmo tempo, os filhos assistirem às aulas e fazerem suas tarefas? Como tirar dúvidas por meio de “chats” sem pessoal suficiente para responder? Como desenvolver trabalhos em grupo – tão necessários para o aprendizado – estando à distância? Como acreditar que essa política que ignorou completamente a realidade da população traria um resultado diferente do caos que estamos testemunhando?

De acordo com o Sistema de Avaliação de Rendimento Escolar do Estado de São Paulo (Saresp), 97% dos alunos do ensino médio deixarão a escola com uma defasagem de seis anos. Isso porque o nível de conhecimento de um aluno do 3º ano em matemática é equivalente apenas à 7ª série do ensino fundamental. Em português a situação também é vergonhosa, com quatro a cada dez alunos apresentando um nível “abaixo do básico”.

Sobre a qualidade do ensino em São Paulo, estado mais rico do país, o secretário da Educação, Rossieli Soares, disse à imprensa que “já era ruim e ficou pior” e que “o ensino médio já estava no fundo do poço e a pandemia mostrou que podia piorar”. Para completar, Soares disse não haver previsão para que os alunos recuperem o tempo perdido.

É bastante curiosa a forma que alguns políticos têm de se expressar como se não tivessem nenhuma responsabilidade sobre o assunto. Fica parecendo até que não foi o governo de São Paulo que trabalhou tanto pelo “fique em casa” e que pressionou outros governadores a fazerem o mesmo. Daqui alguns anos ninguém mais vai lembrar de quem se aproveitou da situação para bancar o tiranete, mas esse esquecimento não será o suficiente para apagar os prejuízos que estão deixando para a população.

Os textos aqui publicados não refletem necessariamente a opinião do Grupo Record.

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