Patricia Lages Análise: Ajoelhar-nos perante a China é que é lamentável

Análise: Ajoelhar-nos perante a China é que é lamentável

João Doria lamenta crítica de Bolsonaro, mas se cala diante das arbitrariedades da China que retalia atrasando insumos para vacinas

Vacina produzida na China

Vacina produzida na China

Xinhua/Zhang Yuwei

De tão notório, o oportunismo de certos políticos chega a ser vergonhoso. Não é de hoje que o governador de São Paulo, João Doria, critica o que o presidente faz e o que não faz, quando fala e quando cala. Com ou sem razão, ele não perde nenhuma chance de maldizer aquele com quem estava “fechado” até pouco tempo atrás. Eleito com a ajuda do nome “Bolsodoria”, bastou sentar-se na cadeira e o gestor se desvencilhou do termo como em um passe de mágica. Aquele que amava a ponto de entrelaçar nomes, de repente, passou a nutrir o chamado “ódio do bem”.

Hoje, almejando assumir outra cadeira nas eleições de 2022, Doria parece não ter limites em suas peripécias “marqueteiras”: turbinou as verbas publicitárias, distribuiu milhões para diversos meios de comunicação e, coincidentemente, passou a estampar capas de revistas e jornais e a dar entrevistas em programas de rádio e TV onde raramente recebe críticas. Mas coincidências existem, não é mesmo?

E hoje, Doria lamenta as críticas do ministro da economia, Paulo Guedes, em relação à vacina e a fala do presidente Jair Bolsonaro contra a China. Não é segredo para ninguém que o governo federal faz, periodicamente, declarações que causam um sem-fim de confusões, distribuindo munição gratuitamente para seus desafetos. Mas colocar-se ao lado da China quando esta se mostra claramente manipulativa em relação ao fornecimento de insumos para a vacina já é demais. Mesmo para um oportunismo “nível Agripino”.

É absurdo que a China esteja recebendo toda autonomia para fazer o que quiser dentro e fora de seu território, enquanto nossos representantes se curvam diante de arbitrariedades por medo de represálias. Estamos em meio a uma pandemia que surgiu justamente na China, onde não há transparência sobre quase nada, e que agora usa os insumos para as vacinas como moeda de troca.

Enquanto nossos governantes seguem repetindo palavras como fascista e genocida – sabendo que a maioria dos brasileiros nem sabe o real significado delas – fazem vista grossa para as retaliações e desmandos do Partido Comunista Chinês. O que mais caracteriza um genocídio: privar propositalmente um país inteiro de receber insumos ou discursos e declarações atabalhoadas?

Se tudo fosse em prol de vidas, o país deveria estar mais unido do que nunca, lutando contra os verdadeiros inimigos, tanto da saúde quanto da soberania nacional. Mas o que se vê é puro oportunismo, de todos os lados, enquanto a população fica contando mortos diante da TV. Isso sim é lamentável.

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