Patricia Lages Análise:  Acusados de enganar doadores, líderes do Black Lives Matter são presos

Análise:  Acusados de enganar doadores, líderes do Black Lives Matter são presos

Depois de revelado patrimônio milionário em imóveis de luxo de cofundadora do BLM na Califórnia, casal de líderes é preso em Boston

Há cerca de um ano, Patrisse Khan-Cullors, cofundadora do Black Lives Matter (BLM), virou notícia não por causa do movimento que promete lutar contra a violência que envolve negros, mas, sim, por ter seu patrimônio imobiliário exposto.

Manifestante do Black Lives Matter: escândalos relacionados a doações

Manifestante do Black Lives Matter: escândalos relacionados a doações

Eric Thayer / Reuters - 6.6.2020

Após a revelação de que Cullors era proprietária de imóveis de luxo que somavam cerca de US$ 3 milhões (mais de R$ 15,2 milhões), membros do BLM puseram em jogo a confiabilidade da administração dos recursos e pediram uma investigação sobre as finanças da organização. Apenas um dos imóveis da militante, uma casa na Califórnia com cerca de mil metros quadrados de área total, foi avaliado em US$ 1,4 milhão.

Em sua defesa, Cullors se disse vítima do que chamou de “ataques de direita” e alegou ter recebido apenas US$ 120 mil por sua atuação no BLM desde 2013. Ela também declarou possuir outras rendas, como participações na TV, palestras e direitos autorais de livros. Porém, pouco tempo depois da repercussão negativa no mundo todo, Cullors renunciou ao cargo de diretora-executiva, insistindo que sua decisão nada teve a ver com as polêmicas.

O mais novo escândalo que envolve o movimento aconteceu nesta semana com a prisão de Monica Cannon-Grant e seu marido, Clark Grant, líderes do BLM Boston. Eles são acusados de roubar uma quantia superior a US$ 1 milhão (mais de R$ 5 milhões) de doações feitas ao programa Violência em Boston. Não é a primeira vez que os Grant são indiciados, e entre as diversas acusações estão coleta ilegal de recursos, fraude contra os doadores e falsa declaração de hipoteca.

Ainda que venhamos a ignorar totalmente o fato de as acusações se referirem a crimes graves é, no mínimo, uma hipocrisia escancarada que pessoas autodeclaradas defensoras do marxismo e paladinas da “justiça social” se deleitem — de forma fraudulenta ou não — das benesses que só o capitalismo pode oferecer.

Estes são apenas alguns exemplos do uso da velha fórmula de vestir-se de um falso manto de virtudes para ocultar suas reais (e sórdidas) intenções, distanciando cada vez mais o que pregam do que vivem. É socialismo, marxismo e luta de classes para os outros e todo o conforto capitalista para eles. E você, já fez sua doação hoje? 

Os textos aqui publicados não refletem necessariamente a opinião do Grupo Record.

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