Patricia Lages Análise: A “verdade” como produto da invenção humana

Análise: A “verdade” como produto da invenção humana

Sob o pretexto da tolerância surgiu a ideia de que cada um tem a sua própria verdade, o que por si só já é uma mentira  

Partindo-se do princípio de que a verdade provém da conformidade com a realidade, não há como cada um criar a sua. O mundo de faz de conta sempre existiu, e não só para as crianças, afinal, quem não gosta de mergulhar em uma boa história de ficção independentemente da idade?

As fantasias são um exercício importante tanto para estimular a criatividade, como para uma boa saúde mental. Elas nos permitem aqueles momentos em que nos desligamos de tudo, promovendo uma espécie de faxina mental, que parece fazer com que o peso dos problemas se torne mais leve. Porém, viver no mundo da imaginação, criando uma “realidade” paralela e querer que outras pessoas façam o mesmo é passar do ponto.

Viver no mundo da imaginação, criando uma “realidade” paralela e querer que outras pessoas façam o mesmo é passar do ponto.

Viver no mundo da imaginação, criando uma “realidade” paralela e querer que outras pessoas façam o mesmo é passar do ponto.

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Até mesmo as crianças devem ser alertadas sobre a diferença entre fantasia e realidade para que, por exemplo, não saltem do alto de uma janela achando que podem voar como o Super Homem. Elas veem que o super herói voa nos filmes, mas aprendem que aquilo acontece só de mentirinha. Porém, na contramão do bom senso vem a ideia de que devemos respeitar a “verdade de cada um”, pois isso é ser inclusivo e tolerante.

A questão é que a relativização da realidade já vem fazendo estragos em várias áreas da sociedade. Para o ensino atual, se uma criança escreve a palavra casa com z e não com s, essa é a forma como ela se comunica, portanto, não está errado. Se o aluno acha que o resultado de 2 + 2 deveria ser representado pelo número 5 e não pelo 4, ele não pode ser reprimido e obrigado a responder diferente do que a “sua” percepção manda.

Mas esse contrassenso pode ser mais perigoso ainda quando utilizado como base para a elaboração de projetos de leis politicamente corretas. É aí que se abrem brechas para todo tipo de interpretação que pode, por exemplo, descriminalizar a pedofilia com a melhor das intenções. Fica fácil para um homem de 40 anos justificar suas relações amorosas com uma menina de 12 alegando que, “para ele”, a criança tem 18. Uma vez que essa é a “verdade” que o pedófilo criou para si, ele deixa de ser pedófilo para ser apenas um homem apaixonado.

A verdade não é e jamais será produto da invenção humana, portanto, não pode ser relativizada, maquiada ou alterada, caso contrário, deixará de ser verdade. Cabe a cada um de nós como membros da sociedade fazermos uma escolha diante da polarização que estamos testemunhando e definirmos qual caminho queremos seguir: o da verdade que liberta ou o da mentira que aprisiona.

Autora

Patricia Lages é autora de 5 best-sellers sobre finanças pessoais e empreendedorismo e do blog https://bolsablindada.com.br/ Bolsa Blindada. É palestrante internacional e comentarista do JR Dinheiro, no Jornal da Record.

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