Novo Coronavírus

Patricia Lages Análise: 2020 chega ao fim sem respostas para muitas perguntas

Análise: 2020 chega ao fim sem respostas para muitas perguntas

Tivemos um ano cheio de incertezas, porém, ainda há muitas perguntas não respondidas que teremos de levar para 2021

  • Patricia Lages | Patricia Lages, do R7

2020 termina e deixa muitas questões para serem resolvidas em 2021

2020 termina e deixa muitas questões para serem resolvidas em 2021

Pixabay

O assunto mais comentado em todo o mundo em 2020 – não sendo necessária nenhuma pesquisa que comprove o dado – foi a Covid-19, que é definida desta forma:

Doença infecciosa causada por um coronavírus recém-descoberto. A maioria das pessoas que adoece apresentará sintomas leves a moderados e se recuperará sem tratamento. O vírus é transmitido por gotículas quando uma pessoa infectada tosse, espirra ou exala. Essas gotículas são muito pesadas para permanecerem no ar e são rapidamente depositadas em pisos ou superfícies. É possível ser infectado ao inalar o vírus se estiver próximo de alguém doente ou ao tocar em uma superfície contaminada e, em seguida, passar as mãos nos olhos, no nariz ou na boca.

Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), cerca de 20% dos infectados têm dificuldades respiratórias que demandam atendimento hospitalar e, destes, 5% necessitarão de suporte ventilatório. Sem querer parafrasear a confusão com porcentagens que a ex-presidente demonstrou em uma de suas falas mais célebres: não são 5% do total de infectados, mas sim, 5% dos 20% que precisam de atendimento hospitalar. A OMS estima que a taxa de letalidade real da Covid-19 é de 0,06%, a afirmação foi feita por Maria Van Kerkhove, chefe do Departamento de Doenças Emergentes.

Para se ter uma ideia, a Sars teve uma taxa de mortalidade de cerca de 10% no surto de 2003 e a letalidade da Mers, dependendo da localidade, variou entre 20% e 40%. Diante de dados e fatos – não de sensações e impressões – já fica uma pergunta no ar: seria normal o mundo parar por conta de uma doença cuja letalidade é 0,06%?


Apenas uma doença importa

Segundo o relatório Injuries and Risk Factors Study (Estudo de Lesões e Fatores de Risco) do Global Burden of Diseases (GBD), a maior causa de morte em 2019 foi a hipertensão, responsável por quase 11 milhões de vidas ceifadas. Apesar disso, tivemos alguma campanha em 2020 tão efetiva quanto a do coronavírus para que a população combata as principais causas da hipertensão que são sedentarismo, obesidade, estresse, tabagismo e o alto consumo de álcool e sódio?

Por que não vimos as indústrias alimentícias sendo obrigadas a baixar as quantidades de sal em seus produtos para salvar vidas? Por que não tivemos uma campanha pesada em prol de um estilo de vida mais saudável e menos sedentário? Em vez disso, vimos a população sendo estressada todo santo dia por campanhas que afirmam que sair de casa é caminhar para a morte. São milhões de pessoas sem se exercitar, engordando e consumindo mais álcool do que nunca. E eu me pergunto: quantos mortos por hipertensão teremos em 2020 “em nome da vida”? Essas vidas não importam?

Sobre o assunto campanha, como fomos tão rapidamente do moderado “se puder, fique em casa” para as imposições e restrições à liberdade até mesmo dentro de casa? Por que tanta gente tem aceitado e concordado com atitudes de autoritarismo, como invadir fábrica para confiscar máscaras, soldar portas de comércio e até prender e agredir pessoas “para o bem” delas mesmas?

Nem todos são essenciais

E como dizer a quem quer que seja que o seu trabalho não é essencial e, por isso, deve se contentar em ficar em casa, mesmo sem saber como pagará as contas que se acumulam a cada dia e ainda que isso signifique não ter nem mesmo o que comer? Como nos esquecemos de que todo serviço é essencial à sobrevivência de quem o executa?

Como explicar que as pessoas realmente aderiram a essa coisa de “essencial”, acreditando piamente que não há problema em ir ao mercado ou à farmácia – afinal, não estão saindo “à toa” – mas creem que se forem a um salão de beleza tingir o cabelo ou fazer as unhas serão castigadas com a doença que não perdoa vaidades?

E, falando em sair de casa, por que a população foi incentivada a sair para votar, por meio de campanhas que diziam com todas as letras que “votar é seguro”, se as eleições foram realizadas em escolas, locais que não podem receber alunos por não serem seguros?

Sobre as campanhas, por que vários famosos – incluindo médicos e profissionais da saúde – que receberam altos cachês para reforçar a ordem de “ficar em casa” estão, neste momento, curtindo as festas devidamente aglomerados em praias e locais paradisíacos? Seriam eles genocidas, suicidas, “vidas-locas” ou será que nem mesmo eles levam a sério a campanha que foram pagos para fazer? Bem, talvez essa pergunta já traga em si mesma a resposta.


Onde está a ciência?

E que ciência embasa atitudes como toque de recolher e diminuição dos horários de atendimento ao público em diversos segmentos, especialmente no comércio, para “evitar aglomerações”, sendo que isso causa exatamente o efeito contrário? Se o horário das eleições foi ampliado para evitar aglomerações, por que para outras coisas o raciocínio é diferente?

Que raciocínio ou ciência há em demonizar e desaconselhar a população a fazer uso de um medicamento barato, utilizado há mais de setenta anos, quando médicos, políticos e ricos em geral se trataram com ele? Como explicar que, por outro lado, vacinas experimentais – que nem mesmo os fabricantes se responsabilizam por efeitos colaterais – têm sido amplamente indicadas e, em algumas localidades, aventada até mesmo a hipótese de obrigatoriedade de vacinação? Onde está a preocupação sobre termos sobrecarga no sistema de saúde para atender o alto índice esperado de pacientes com efeitos colaterais?

E o que dizer do enfermeiro americano, Matthew W., que recebeu a primeira dose da vacina da Pfizer/BioNtech e seis dias depois testou positivo? O próprio laboratório afirma que o caso não é “algo inesperado” e que a vacina “não é um elixir da cura imediata”. E como interpretar a fala da pesquisadora Margareth Dalcolmo, da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), afirmando que, mesmo com as vacinas, teremos de manter todos os protocolos sanitários, incluindo o uso de máscaras, pelos próximos dois anos?

Muitos justificam que é óbvio que os governos não sabem o que fazer diante de algo tão novo, mas estas mesmas pessoas acreditam que esses mesmos governos que não sabem o que fazer, têm razão ao impor medidas sem pé nem cabeça, principalmente quando elas são tomadas em outros países, e que o Brasil deveria seguir o exemplo. Porém, seguir o exemplo baseado em quê? Acaso seria na mesma “ciência” na qual a Bélgica se apoia para restringir que nas celebrações de réveillon a população receba, no máximo, cinco convidados em casa? Por que não seis? Mas tem mais: dos cinco convidados, apenas um deles poderá usar o banheiro. Não, não é piada, é uma regra ditada por um governo que não parece ter vergonha de virar piada.

Enfim, são muitas perguntas, poucas respostas e quase nenhuma suficientemente convincente. Que em 2021 nenhum de nós perca o poder de raciocínio, pois essa é a única coisa que pode nos manter lúcidos e preservar algum resquício de sanidade em meio ao caos.

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