Aglomeração não pode, a não ser que seja em Wuhan

A OMS tem sido bastante crítica em relação às aglomerações, ainda mais sem medidas de prevenção, mas dessa regra a China está liberada

Festival de música em Wuhan, na China, reuniu milhares de pessoas

Festival de música em Wuhan, na China, reuniu milhares de pessoas

Reuters - 15.08.2020

No último fim de semana, um festival de música reuniu, em Wuhan, epicentro da pandemia do vírus chinês, milhares de pessoas em um parque aquático. Apesar de que nenhuma das medidas preventivas recomendadas pela OMS (Organização Mundial da Saúde) foi adotada, a entidade evitou fazer críticas aos chineses.

Maria van Kerkhove, epidemiologista e líder do programa de emergências da OMS, já protagonizou uma polêmica quando disse ser “muito raro” que “uma pessoa assintomática realmente transmita o vírus adiante para um indivíduo secundário”. Horas depois, a entidade recuou afirmando que se tratou apenas de um “mal-entendido”.

A mesma epidemiologista volta às manchetes em razão de sua fala defendendo o festival de Wuhan, onde milhares de jovens compareceram sem máscara, extremamente aglomerados e dividindo as mesmas piscinas: “Não devemos culpar as pessoas por quererem viver suas vidas. Acho que só precisamos ter certeza de que a informação que está chegando, principalmente aos jovens e às crianças, é a de que eles não são invencíveis", afirmou Kerkhove.

Porém, quando se trata de outras partes do mundo, o posicionamento da OMS tem se mostrado bem diferente. Em 27 de julho, Kerkhove criticou aglomerações ocorridas na Europa: “Quando o vírus encontra lugares com oportunidade de se transmitir, ele traz efeitos devastadores.”

Deve-se levar em conta que, apesar de Wuhan ter cerca de 11 milhões de habitantes, segundo informações do governo chinês, todos foram testados e não há registro de novos casos desde a segunda quinzena de maio. Porém, é preciso lembrar que a covid-19 ainda não foi erradicada e há casos, como o da Nova Zelândia, onde não havia registros de contaminação há mais de três meses, mas que atualmente enfrenta um novo surto.

A festa de Wuhan representa muito mais do que simplesmente jovens sem nenhuma culpa tentando viver suas vidas, pois, além da divulgação de informações e orientações desencontradas desde o início da pandemia, a OMS demonstra cada vez mais sua conivência com tudo o que acontece na China, mesmo que seja totalmente diferente do que ela mesma recomenda para o resto do mundo.

É, no mínimo, muito estranho...