'Não basta botar negros na frente da câmera', diz cineasta premiada

No Dia da Mulher Negra Latino-Americana, Sabrina Fidalgo defende que população negra tenha mais participação nos espaços de poder 

Para cineasta, é preciso fazer mais do que "colocar pessoas negras na frente de uma câmera"

Para cineasta, é preciso fazer mais do que "colocar pessoas negras na frente de uma câmera"

Reprodução

Aos 40 anos, a diretora brasileira Sabrina Fidalgo está na lista das 36 cineastas ao redor do mundo que estão abrindo caminhos no mercado audiovisual. Só pelo curta-metragem Rainha (2016), que conta a história de uma mulher negra que realiza o sonho de ser rainha de bateria de sua escola de samba, Sabrina levou para casa mais de 20 prêmios.

No Dia da Mulher Negra Latino-Americana e Caribenha, a cineasta conta ao R7 como enxerga os avanços da indústria cinematográfica em termos de representatividade racial e diz que é preciso fazer mais do que "colocar pessoas negras na frente de uma câmera". 

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"É preciso ampliar esse poder para que criativos negros tenham a oportunidade de contar suas próprias histórias", declara a cineasta, cujo trabalho é destaque na programação de estreia do Trace Brazuca, canal focado em cultura afro-urbana que chega ao Brasil neste sábado (25).

Filha do dramaturgo brasileiro Ubirajara Fidalgo e da produtora Alzira Fidalgo, fundadores do Teatro Profissional Negro, Sabrina defende que a população negra tenha maior participação nos espaços de poder cultural e econômicos. 

"Fazemos parte fomentando: consumimos, pagamos e as pessoas realizam filmes com nossos impostos. Mas não somos vistos. Não somos aquelas pessoas que detêm o poder tanto na frente quanto atrás das câmeras."

Sabrina enxerga um movimento de ascensão das discussões raciais nos últimos anos e cita a onda de protestos do assassinato de George Floyd que teve repercussão mundial. "Estão começando a nos enxergar", diz. 

Das principais obras de Sabrina, serão exibidas pelo Trace Brazuca o curta Rainha, o documentário Rio Encantado, Personal Vivator, Cinema Mundo e Alfazema, com o qual Fidalgo ganhou o prêmio de direção em Brasília.  

Focado em conteúdo autoral, o canal é voltado ao público negro no Brasil "Estamos aqui para potencializar a visibilidade dessa pauta e dessas pessoas para que sejam legitimamente representadas", explica Ad Junior, diretor de marketing. "Vamos quebrar essa barreira com histórias positivas e talentos plurais."