Mulheres de bicicleta: "Estar na rua e se impor também é ativismo' 

Integrante de grupo de ciclismo feminino defende conscientização no trânsito comenta a morte de Marina Harkot: "Mexeu muito comigo" 

Grupo de mulheres ciclistas se reúne semanalmente desde 2018

Grupo de mulheres ciclistas se reúne semanalmente desde 2018

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Na última semana, a morte da cicloativista e pesquisadora Marina Harkot, de 28 anos, mexeu com a analista de CX Karoline Coimbra, de 29 anos. Embora a jovem não conhecesse Marina pessoalmente, algumas coincidências sobre o atropelamento que matou a ciclista fizeram com que Karoline refletisse sobre sua própria segurança.

“Ela foi morta em um local em que sempre passo para voltar do trabalho. Só não estou passando no momento porque tenho trabalhado de casa. Ela era uma pessoa importante para o cicloativismo não só em São Paulo.”

Além de dividirem o mesmo espaço diário de tráfego, Karoline também é ciclista. Ela faz parte do coletivo Vespas Bike Gang, um grupo de mulheres que se reúne semanalmente para pedalar. Segundo conta Karoline, o grupo foi criado em 2018 para que qualquer ciclista fosse aceita, independente de seu nível de experiência.

“A gente acredita que é a bike é um objeto de emancipação, que nos ajuda a ocupar e conhecer melhor a cidade”, defende Karoline. Os desafios para uma ciclista em São Paulo, segundo conta a integrante do Vespas, passam não só pela segurança no trânsito mas pelo assédio. “Já perdi as contas de quantas vezes ouvi comentários sobre meu corpo enquanto pedalava”, desabafa.

De acordo com a pesquisa de mestrado publicada por Marina Harkot em 2018, é a desigualdade de gênero no espaço urbano que faz com que mulheres sejam apenas 12% dos ciclistas em São Paulo. Integrante dessa baixa estatística, Karoline teme entrar para os números de ciclistas atropelados na cidade.

“Tenho sentido o trânsito cada vez mais violento. Motoristas que tiram finas de propósito, colocam nossa vida em risco como se fossemos nada. Eles nos fecham e nos ofendem a troco de nada.”

O surgimento do grupo Vespas, de acordo com Karoline, nasceu como uma atividade entre seis amigas e acabou se tornando um incentivo a mulheres ciclistas a ocuparem a cidade. Ela defende medidas de conscientização no trânsito e maior número de vias possíveis com acesso às bicicletas.

“Hoje eu não me intitulo ativista porque me falta tempo pra me dedicar a pautas importantes, mas acredito que estar na rua e me impor já é parte disso”, defende Karoline. 

“O poder público tem o dever de gerar espaços seguros para que as bicicletas possam transitar pela cidade sem o risco que motoristas irresponsáveis nos causam.”

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