Sem trabalho, executiva confecciona máscaras contra coronavírus

"Foi uma forma de eu não ficar sem remuneração e também saber que eu estou ajudando pessoas nessa pandemia", disse Ana Paula Andrade

Ana Paula diz estar feliz por poder ajudar as pessoas a se protegerem

Ana Paula diz estar feliz por poder ajudar as pessoas a se protegerem

Arquivo Pessoal

Quando foi dispensada do trabalho como executiva de vendas de uma empresa de sistemas, em meados de março, Ana Paula Andrade, de 42 anos, retomou um passatempo que costumava fazer apenas nas horas vagas: costurar. Entre agulhas e linhas, ela decidiu confeccionar máscaras de tecido para a proteção contra o novo coronavírus.

"Eu tinha um restinho de tecidos em casa e fiz para o meu marido e as crianças. Uma amiga viu e quis também. Ela divulgou para uma rede de amigos e aí muita gente começou a pedir. De uma confecção pequena, a quantidade hoje passou a ser bem expressiva", contou.

A executiva contou que produz em média 60 máscaras por dia. Ela disse que cada unidade leva de 10 a 15 minutos para ficar pronta. O material usado na confecção das máscaras é o tricoline. "100% algodão, que é justamente aquele que foi indicado (pelo Ministério da Saúde). Elas são dupla face, contendo, portanto, duas camadas de tecido", explicou.

A nova jornada de Ana Paula começa às 7h e vai até às 22h. As pausas são somente para almoço e jantar. "Saio uma vez ou outra para comprar algum item que esteja faltando, mas a dedicação é dia inteiro", disse.

Além de ajudar os amigos, Ana Paula contou ainda que conseguiu produzir uma remessa para um hospital próximo de sua casa. "Essas eu fiz para o pessoal que trabalha na área admistrativa". Algumas clínicas veterinárias também já adquiram as máscaras de tecido feita por Ana.

O custo de produção não é alto. A executiva contou que para produzir cada máscara, ela gasta em média R$1,50 e vende a unidade por R$5,00. "Me sinto bastante gratificada e feliz, porque estou afastada do trabalho nesse período. Então foi uma forma de eu não ficar sem remunaração. Não acho (o que eu cobro) um valor exorbitante,  acho que é um valor acessível a muitos, e isso me faz feliz, saber que nesse momento, em que a pandemia está aí, estou ajudando pessoas se protegerem", disse.