Moda Influenciadora ensina a repensar as roupas paradas no armário

Influenciadora ensina a repensar as roupas paradas no armário

Dona do @repeteroupa, Melodia Von Erlea mostra como não sofrer ao fazer aquela limpa no guarda roupas e ajudar o meio ambiente

  • Moda | Júlia Putini, do R7*

A "Repete Roupa" é Melody, formada em Letras e pós graduada em comunicação, cultura e moda

A "Repete Roupa" é Melody, formada em Letras e pós graduada em comunicação, cultura e moda

Reprodução/Instagram/@repeteroupa

Todo brasileiro que teve o privilégio de trabalhar de casa e se isolar provavelmente enfrentou uma realidade ambígua em relação ao próprio armário. Para que tudo isso de roupa? O que eu faço agora? Será que ainda gosto das minhas peças? Será que vão caber? Para tentar trazer uma luz no fim do túnel (ou no fim da gaveta), Melodia Von Erlea, dona do perfil Repete Roupa, foi convocada para essa missão.

“As pessoas querem saber quais benefícios vão ter para sua própria vida antes de entender o impacto que isso gera no mundo”, aponta Mel, que é defensora do consumo consciente e de um guarda-roupa mais enxuto – mas não necessariamente sem graça. “Me abriu os olhos para outros problemas, mas começa em um movimento narcisista de pensar só em si e depois se expande para o comunitário. Não dá para forçar que seja o contrário”, pondera.

A pandemia, segundo a influenciadora, trouxe maiores certezas sobre nossos hábitos de consumo e estilo de vida, provando que a maioria das pessoas tem muito mais peças do que necessita para o dia a dia.

Mudar de hábito - e guarda-roupa - não é uma tarefa fácil, reconhece Mel. “Embora tenha um movimento do pessoal entendendo que é praticável consumir menos, também tem uma grande ansiedade para voltar a consumir como antes assim que possível, da maneira que der. O pensamento é: ‘aprendi que posso comprar menos, mas quero mesmo assim.’” 
 
Para pensar em usar melhor nossas peças e reverter a paradeira no armário, Melody passa algumas dicas práticas como a expert em repetir roupa que ela é. Para começar a organização:

Ela prova que sair do automático na hora de se vestir é divertido

Ela prova que sair do automático na hora de se vestir é divertido

Reprodução/Instagram/@repeteroupa

• Conte e catalogue suas peças (saber quantas roupas há ao todo e quantas peças de cada categoria você tem: saias, calças, blusas...);
• Faça uma conta básica: se tenho 10 saias, 30 blusinhas e 8 calças, multiplicando entre si dá 2400 looks. Pode ser que nem todos funcionem na prática, não combinem ou você não goste, mas funciona para ver como é possível variar muito mesmo com uma quantidade limitada;
• Feito isso, você já pode tirar peças que não se identifica mais, como coisas que ganhou de presente e não usou. Para tirar o melhor dessa etapa, que tal vender num brechó (ou fazer seu próprio), trocar com amigas, doar…? Vale tudo!
• Agora chegou a parte que todo mundo teme: organizar. É uma das etapas mais essenciais porque você precisa conseguir visualizar todas as roupas. Não ver as peças faz com que isso dificulte saber tudo o que tem e usar a criatividade para inovar nas combinações;
• Por fim, a diversão. Aproveite um sábado para montar looks e explorar novas possibilidades, tendo tempo para pensar em cada elemento da roupa, diferentemente da correria de se vestir no dia a dia. Exemplo: produza oito looks diferentes com uma calça. 

BÔNUS: Que tal fazer um desafio? Usar 15 peças durante um determinado período (um mês por exemplo) ou parar de comprar roupa por 3 meses. Adapte sua lista dentro do viável e possível. “É um processo doloroso olhar e ver o dinheiro gasto em tudo aquilo que eventualmente é desperdiçado”, pondera Melody. 

Mas, se você é daquelas que se sente esgotada tendo que pensar na roupa de cada dia, a influenciadora aconselha a montar seu próprio uniforme. “Dez camisetas iguais, 5 calças pretas e pronto, está feito.” 

E depois que a pandemia acabar?

Muita calma nessa hora! A ideia de fazer a limpa no armário não é te deixar sem ter o que vestir, mas trazer praticidade. Segundo o palpite da influenciadora, a moda pós-pandêmica herdará o conforto da roupinha de ficar em casa, sem perder o brilho. 

“Vai dar vontade de se montar e caprichar, mas sem abrir mão do conforto. Uma coisa confortável e espalhafatosa ao mesmo tempo, caprichada. As pessoas vão querer se sentir bem mostrando uma imagem legal”, aposta ela sobre a retomada do trânsito pelos espaços públicos.

*Estagiária do R7, sob supervisão de Andrea Giusti

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