Tóquio 2020

Lifestyle Michelle, mulher e técnica de Fratus, já teve distúrbio alimentar

Michelle, mulher e técnica de Fratus, já teve distúrbio alimentar

Treinadora passou a comer compulsivamente após vencer competição de fisiculturismo e acabou entrando em depressão

  • Lifestyle | Do R7

Resumindo a Notícia

  • Michelle Lenhardt, mulher e técnica de Bruno Fratus, teve distúrbios alimentares e depressão
  • Ela passou a se dedicar ao fisiculturismo após se aposentar da carreira como nadadora
  • Esforço para entrar nos padrões das competições prejudicaram sua saúde física e mental
  • Ela passou a comer compulsivamente logo após se tornar campeã mundial fitness
Michelle teve distúrbio alimentar e depressão quando era fisiculturista

Michelle teve distúrbio alimentar e depressão quando era fisiculturista

Reprodução

Michelle Lenhardt, mulher e técnica do nadador Bruno Fratus - medalha de bronze nos 50 metros livre nas Olimpíadas de Tóquio 2020 -, já enfrentou um distúrbio alimentar e a depressão. Ela fez um longo relato sobre o assunto em seu blog pessoal.

A ex-nadadora, que também já representou o Brasil nos Jogos Olímpicos de Pequim, em 2008, passou a se dedicar ao fisiculturismo em 2015, dois anos depois de se afastar das piscinas. E teve uma trajetória conturbada, com vitórias que lhe custaram a sua saúde física e mental.

Michelle conta que venceu duas competições pela WBFF Diva Fitness Model. Na primeira, ela competiu em uma categoria amadora, em 2015. Um ano depois, tornou-se campeã mundial. Mas o triunfo veio depois de um grande esforço para se enquadrar nos padrões exigidos pelo torneio, sem qualquer orientação profissional.

"A categoria que competi é uma categoria que fica entre "Bikini" e "Figure", precisa ter um corpo "talhado" mas sem exageros, e ao mesmo tempo feminino. Precisava saber desfilar igual uma Angel da Victoria's Secret, mesmo eu me sentindo um pouco desengonçada no início", descreveu.

"Tive que aprender sobre tudo isso, era um mundo completamente novo pra quem sempre esteve competindo de maiô, touca e óculos. Logo após receber a coroa de campeã mundial fitness em 2016 meu mundo começou a desabar", acrescentou.

Ela emagreceu 10 quilos até o dia do desfile. "Nas fotos de palco que eu pareço forte e saudável, mas fora dele, eu estava cadavérica", desabafou.

Para recompensar a si mesma após a vitória, Michelle comeu uma bandeja de brigadeiros logo após descer do palco e, depois disso, diz que começou a se alimentar de maneira compulsiva e descontrolada.

"Devido aos meses de dieta extremamente restritiva, meu corpo entrou em um "estado de sobrevivência" e quis estocar tudo que cabia e não cabia mais dentro do meu estômago", afirma. "Eu comi sem parar, não sei até hoje como entrou tanta comida em mim, meu marido ficava atônito. Comia quilos de chocolate como sobremesa após devorar uma pizza inteira", contou.

Sem orientação e apoio emocional, Michelle acabou entrando em depressão. "Meu corpo "perfeito e vencedor" estava "gordo e deformado", e era na comida que eu encontrava prazer, a tal da endorfina. Comia, me sentia bem por poucos minutos, e depois vinha a culpa. Aí passei a vomitar, porque não queria engordar ainda mais. Não era algo forçado, era alguma reação instantânea que não deixava mais a comida da minha boca passar pro meu estômago", disse.

A ex-atleta afirma que nessa época, Bruno perdeu uma série de patrocinadores após ficar em 6º lugar nos Jogos Olímpicos do Rio 2016, o que afetou ainda mais sua saúde mental e  agravou os distúrbios alimentares.

"Quanto mais eu comia pra afagar essa onda de sentimentos misturados de preocupações e medo do futuro, mais eu queria comer. A comida era o meu refúgio, era a única coisa que me dava prazer naquele momento. Meus 10kg que perdi pra competir eu recuperei em uma semana". revelou.

Michelle conta que descobriu estar doente após a realização de exames. No auge da depressão, ela não conseguia sequer levantar da cama.  O começo da recuperação veio com o apoio de uma amiga e psicóloga, que começou a lhe dar uma tarefa diária para cumprir. "Daquele dia em diante eu resolvi lutar, "uma pequena tarefa por dia" pois não queria ficar daquele jeito".

Então, ela começou a estudar, pois queria se tornar health coach (treinadora de saúde, em tradução livre) para conseguir entender o que havia acontecido com ela e passou a ajudar a própria mãe.

"Quando fui aprendendo passei a cuidar da minha mãe, que estava com síndrome metabólica, pré-diabética com os triglicerídeos estourados. Por mais saudável que eu sempre tenha sido pelo fato de ser atleta, percebi que não sabemos e não temos conhecimento sobre tudo. Tive que aprender muito sobre o que é uma alimentação "limpa" de verdade", destaca.

Michelle finalizou o texto com um conselho: "Às vezes sentimos que nosso mundo vai desabar, que não temos forças pra mudar aquilo que gostaríamos, mas temos sim. Pequenas mudanças geram grandes impactos, é só não se acomodar".

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