Filhos Veja dicas para driblar o tempo livre das crianças durante a pandemia

Veja dicas para driblar o tempo livre das crianças durante a pandemia

Especialista explica como os pais podem entreter os pequenos em casa, além de mantê-los longe de tablets e celulares

  • Filhos | Do R7

“Estimular que a criança brinque é sempre melhor do que liberar telas”, diz psicóloga

“Estimular que a criança brinque é sempre melhor do que liberar telas”, diz psicóloga

Alyssa Sieb/Nappy.co

Mesmo com a chegada da vacina contra o coronavírus, não há previsão de quando as interações sociais serão retomadas. Então, como explicar para as crianças mais um ano do “novo normal”? Ou, ainda, como evitar que o uso de computadores e smartphones, fundamentais para a manutenção das relações neste período, afete a saúde mental dos pequenos?

Para Adriana Drulla, mestre em psicologia, o primeiro passo é validar os sentimentos da criança em relação à nova fase e, depois, refletir sobre quais recursos estão disponíveis para o enfrentamento. “Talvez os pais possam mudar algo na rotina, organizar um espaço para o estudo online, por exemplo. Outra ideia é construir junto com a criança cantinhos de brincadeiras em que estejam disponíveis jogos de tabuleiro, jogos de montar, massinha, bonecos, materiais de pintura e livros”, ensina.

É a partir do tédio que as crianças desenvolvem a criatividade

Adriana Drulla, psicóloga

Caso não haja interesse nas atividades propostas, Drulla orienta que os pais reservem um tempo para brincar com as crianças e, assim, incentivar este engajamento. “Estimular que ela brinque é sempre melhor do que liberar telas. Em vez de ligar a televisão para que a criança não precise lidar com o tédio, é importante lembrar que é a partir do tédio que elas desenvolvem a criatividade”, diz a especialista. “É quando a criança não tem nada pra fazer que ela descobre que o sofá pode ser um barco ou que existe um livro interessante na estante”.

Uso excessivo de internet pode prejudicar qualidade do sono

Uso excessivo de internet pode prejudicar qualidade do sono

Reprodução/Freepik

Segundo a psicóloga, o uso excessivo de telas pode diminuir a participação da criança em atividades criativas, como a leitura e brincadeiras de imaginação. Além de interferir na socialização da criança com a família e os irmãos, e impactar negativamente na quantidade e qualidade do sono.

“Todos esses fatores têm reflexos comportamentais e emocionais, o cérebro da criança ainda está em desenvolvimento. Ela precisa brincar e interagir com pessoas de carne e osso”, explica Drulla.

A volta às aulas pode intensificar ainda mais o uso da internet, já que o ensino tem acontecido de maneira remota por causa da pandemia. Por isso, o recomendado é que a criança use o tempo disponível longe do mundo virtual. “Se isso não for possível, estabeleça um limite de tempo para o uso dos eletrônicos. Também é importante que os pais monitorem o conteúdo consumido, já que as telas podem ser usadas para atividades criativas, por exemplo, e não apenas para o consumo passivo de vídeos”, explica.

Conteúdos online, como joguinhos e as redes sociais, fazem com que o cérebro produza doses constantes de dopamina, o que pode levar a criança ao vício, tornando mais difícil para ela aceitar os limites impostos pelos pais.

A dica da psicóloga é que pais e filhos, juntos, elaborem um plano para que o uso da internet seja gradativamente reduzido. “Talvez diminuindo 30 minutos por semana, usar programas de monitoramento parental para que o dispositivo desligue sozinho quando o tempo for atingido ou programar o despertador para lembrar a criança sobre o limite de uso estipulado”, aconselha.

“As novas tecnologias vieram para ficar, então é inevitável que a criança encontre celulares e computadores à medida que ela cresça. Mas os pais não precisam, e nem devem, estimular que a criança tenha um contato precoce com essas tecnologias. É muito mais saudável que a criança passe o seu tempo em atividades que contribuam para um desenvolvimento cerebral saudável do que em dispositivos”, ressalta a especialista.

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