Separados pela quarentena: como lidar com o primeiro amor dos filhos

Mesmo morando a três quarteirões de distância, casal que vive 1º amor não consegue se encontrar. Psicóloga explica como pais devem lidar com situação

No filme A Cinco Passos de Você, casal adolescente tem que manter distância de pelo menos 1,5m

No filme A Cinco Passos de Você, casal adolescente tem que manter distância de pelo menos 1,5m

Reprodução

Os namorados Amanda Gonzaga e Leonardo Nishida moram a três quarteirões de distância, na zona norte de São Paulo, mas vão ter que comemorar os 10 meses de relacionamento longe um do outro, por conta da quarentena.

Embora sejam vizinhos, Amanda e Leonardo estão impedidos de se verem por causa da quarentena

Embora sejam vizinhos, Amanda e Leonardo estão impedidos de se verem por causa da quarentena

Arquivo pessoal

“O pior é que a gente saiu no dia 07 de março e na semana seguinte não conseguiu se ver por conta da loucura do corona. Ficar quase uma semana sem se ver é novo pra gente, mas ele é grupo de risco”, conta a estudante Amanda, de 20 anos. Léo é seu primeiro namorado e já lutou contra um câncer de tireóide. Ela compara a distância do amado ao romance adolescente “A Cinco Passos de Você”, filme no qual dois pacientes de fibrose cística se apaixonam, mas por conta da doença devem manter 1,5 metros de distância entre si. “É muito triste. Na história, se eles se beijarem, morrem.”

Lidar com as consequências emocionais do decreto de quarentena tem se mostrado um desafio para todas as gerações: se os idosos têm sido taxados como teimosos por resistirem à quebra de rotina, os adolescentes apaixonados possuem demandas de outra ordem. É o que explica a psicóloga Triana Portal, especialista em jovens e adultos e terapia de casal.

“Todas essas reações e mudanças de rotina podem agravar comportamentos típicos de quem está apaixonado, principalmente quando se é jovem e é o primeiro amor. O ser amado se torna obsessão, onipresente nos pensamentos diuturnamente e a limitação do contato físico aguça e amplifica o desejo.”

Quando a saudade aperta, a tarefa de lidar com a ‘sofrência’ adolescente acaba ficando com os pais. Para a executiva Iza França, mãe de Guilherme, de 16 anos, uma das partes mais difíceis é perceber a frustração do filho em não poder ver a namorada.

“É aniversário de 8 meses deles. Todo mês ele faz uma surpresinha pra ela. Ele me perguntou se podia visitá-la e fiquei naquela angústia. Acabei deixando, mas por algum motivo ele acabou não indo”, conta França, que tem percebido um comportamento mais isolado do filho, durante a quarentena.

“Brinco que em casa vejo um vulto passando do banheiro para a cozinha para pegar água. Acabam intensificando algumas chateações, como as trocas do dia pela noite."

Segundo a psicóloga, o momento é de empatia e paciência. “Acolher, nomear sentimentos e traduzir as emoções quando possível ajuda a estimular a reflexão do jovem - que ainda tem condições de enfrentamento pouco sedimentadas ou frágeis - são boas estratégias.”

“Se através do diálogo, os pais se mostrarem firmes e coerentes, conseguirão com mais facilidade penetrar no universo dos filhos, organizar seus pensamentos e o comportamento se ajustará melhor”, afirma Triana.