Em talk show, Marcos Piangers dá dicas de paternidade responsável 

No espetáculo "O Papai é Pop", escritor e youtuber divide sua experiência de construção de um pai que não é só coadjuvante da mãe. Confira a entrevista 

Marco leva 'O papai é pop' ao palco

Marco leva 'O papai é pop' ao palco

Divulgação

Seus vídeos já ultrapassaram a marca de 400 milhões de views no Facebook e foram vendidos mais de 300 mil exemplares de seu  best seller, 'O Papai é Pop'. Marcos Piangers é um homem que ousou questionar o modelo tradicional de paternidade e se tornou uma das maiores referências sobre o tema no País. 

Nesta segunda-feira (28), às 20h30, ele sobe ao palco do Teatro Bradesco para apresentar o espetáculo "O Papai é Pop", um talk show que trata de sua vivência como pai de suas filhas, Anita e Aurora.

“É um exercício de desconstrução daquela velha imagem de pai e da construção de um sujeito que não está ali só como um coadjuvante da mãe”, explica Piangers.

Em entrevista exclusiva ao R7, Piangers fala dos ganhos dos que aceitam viver a paternidade em novos moldes, de seus aprendizados e dos desafios que esses 'pais pops' ainda precisam enfrentar. 

R7 —  Que conselho você daria a homens mais conservadores, pais à moda antiga, que ainda agem com rigor e distância dos filhos. 
Marcos Piangers — Em primeiro lugar, eu entendo esse cara, ele foi formado por um incentivo constante para que ele não participasse. O pai sempre foi representado nas produções culturais, filmes, séries, nas conversas com os amigos, como uma figura meramente decorativa. Ele vai pagar as contas, ser apenas o provedor e tentar ser o mais rigoroso possível para ter os seus filhos educados. O papel do afeto, da educação de fato, acaba sendo representado pela figura da mãe, o que é uma visão antiga. Se você parar para olhar os dados vai ver que 30% dos lares com filhos são de mães sozinhas, mais da metade dos lares brasileiros são sustentados por mulheres. Você percebe que esse cara, que se enxerga só como provedor, vai ficar permanentemente ressentido, magoado, em uma sociedade que não tem mais espaço para ele.

R7 —   O que eles estão perdendo ao exercer a paternidade desta forma?
Marcos Piangers —
A única forma de ele ser um cara mais feliz, mais realizado, um cara mais equilibrado, sem tanta frustração, sem tantos nós prendendo ele, sem tanta neurose, vai ser se adaptar a uma possibilidade de um homeme que também é participativo com os filhos, que também leva os filhos na escola, que também é carinhoso e atencioso com os filhos, que também participa de todas as áreas de educação da criança. Isso livra o homem de uma série de frustrações, livra o homem desse desconforto. Ele acaba ganhando mais equilibrio e uma chance de ter uma vida encantada perto dos filhos. As pesquisas mostram que um homem com filhos, cuidador, participativo, vive até dois anos mais do que um homem que não tem filhos. Os estudos também mostram que homem casados que são cuidam relatam felicidade maior do que os solteiros. Contradizendo todos os grupos masculinos de whatsapp, eles também fazem mais sexo e de melhor qualidade com suas parceiras, vivem mais do que homens solteiros. Tem uma vida mais feliz e mais realizada. Sempre digo: se você não vai fazer isso pelo seu filho, para que ele seja mais feliz e melhor do que você, e também não vai fazer isso pela sua mulher, pelo seu relacionamento, faça por você! É isso que tenho a dizer a um homem que está preso numa narrativa que o afasta da felicidade.

R7 — Por que a paternidade ainda é vista como uma função acessória à maternidade?
Marcos Piangers —
Porque toda a comunicação, toda produção cultural, todos os séculos até aqui construíram que essa relação do filho era exclusivamente com a mãe. Até do ponto de vista científico, as primeiras pesquisas mostrando a importancia do participação do pai datam dos anos 50, 60, 70. Em 2005, o livro "Do Fathers Matter?', de Paul Raeburn, compilou as pesquisas para provar que o pai importa. Em uma construção mais completa, o pai é que apresenta o mundo além da mãe, traz a imagem da autoridade. É importante pontuar a importância brutal do pai, inclusive para garantir mais liberdade à mulher, para que ela possa trabalhar, por exemplo. É fundamental para a equidade de genero.


R7 — Em empresas onde homens podem pegar uma licença maior no nascimento dos filhos, muitos não aceitam, ficam com receio de serem prejudicados e também da zoeira dos amigos. Como eles podem lidar com essas mudanças?
Marcos Piangers — O país com a maior licença paternidade do mundo é a Coréia do Sul e mesmo lá eles não tiram muita licença. Um homem que aceita a licença acredita que passa a imagem de que não é um funcionario dedicado. A diferença de prazos entre licença paternidade e maternidade reforça a ideia de que o homem não precisa participar. Acho isso injusto. O melhor modelo seria a licença parental. Em alguns países, são oferecidos 6 meses, que serão divididos entre homem e mulher, sendo que o primeiro mês é para o dois. A mãe pode ficar 4 meses com o bebê e, no início do sexto mês, ela volta ao trabalho e o homem cuida da criança em casa sozinho. Se o homem dividisse essa pressão, a mulher ficaria mais aliviada. É um investimento na chegada saudável para uma criança.


R7 — No espetáculo, que atividades especiais serão propostas para para o público?
Marcos Piangers —
 Estou viajando por sete estados, sempre convidando pais locais para darem uma pequena palestra antes do espetáculo. Em São Paulo, eu convidei a Helen Ramos, do Hel Mother, que incentiva a participação do homem por meio da liberação da mulher. Também temos espaço Kids, para quem quiser levar bebês. Como fizemos na turnê de 2018, neste ano também iremos doar os lucros obtidos pela venda dos ingressos para instituições que apoiamos, como AACD,  Graac, Instituto do Câncer Infantil, de Porto Alegre, entre outras. 


R7 — Quais são as mudanças de padrão de comportamento mais fundamentais para o homem que deseja exercer sua paternidade de forma mais “descontruída”?
Marcos Piangers —
Humildade. Homem não gostar de ser ensinado, nunca assumem quando estão perdidos, não pedem informação para ninguém, homem sempre diz que sabe de tudo e a gente quebra a cara em momentos duros da vida, num divórcio, luto, quando passa por uma doença grave e quando envelhece. Sem pre vem as perguntas: será que vivi bem? será que não poderia ter vivido de forma mais equilibrada, mais feliz, mais sensível? Acho que o fundamental é ter humildade, aceitar que preciso aprender com minha mãe, com minha esposa, olhando para o meu filho, minha filha, e aprender com eles a ser um pai melhor, mais carinhoso, mais atenciosos e mais sensível. 

R7 — No espetáculo você faz esse tipo de provocação para a plateia? Como tem sido a receptividade do tema pelos pais? Você nota um movimento dos homens no sentido de serem ‘papais pops’?

Marcos Piangers — Quando subo ao palco falo sobre todas essas questões, percebo algumas mães dando pequenas cotoveladas em seus maridos, também vejo pais dando pequenas cotoveladas nas mães... Não existe pai perfeito, nem mãe perfeita. A gente está aqui para se ajudar, para se entender, para se refazer juntos. Noto, sim, uma tendência crescente de homens cada vez mais sensíveis, procurando se encontrar nesse mundo de 2019, 2020. Precisamos estruturar as famílias para que sejam mais felizes, para que nossos filhos sejam mais felizes. O mundo precisa de homens melhores, mais sensíveis, melhores maridos, melhores pais e, consequentemente, melhores cidadãos. O homem está só correndo atrás do prejuízo, precisa se modernizar para que nossos filhos cresçam mais completos.

SERVIÇO
O que: Tour Especial O Papai é Pop 2019
Quando: Segunda-feira, 28 de outubro, às 20h30
Onde: Teatro Bradesco, Rua Palestra Itália, 500 – Perdizes, São Paulo/SP
Quanto: Entre R$ 60 e R$ 120 (R$ 90 para quem levar 1kg de alimento)