Elza Soares: 'Quem me viu de enxada, hoje me vê com coroa'

Cantora falou ao R7 durante celebração dos 18 anos da Feira Preta no Memorial da América Latina

Cantora fez show gratuito no Memorial da América Latina

Cantora fez show gratuito no Memorial da América Latina

Monica Silva/Terra Preta Produções.

Respeito é o que Elza Soares diz aprender, aos 82 anos, com a nova geração de fãs que a cultua. No último sábado (7), a cantora foi a principal atração na Feira Preta, evento que celebrou 18 anos como o maior festival de cultura negra da América Latina, que teve apoio do Instagram para lançar o tema ‘Passado, Presente e Futuro”.

“Quem me viu de enxada, pá e picareta na mão, hoje me vê com uma coroa de rainha. Sabe por quê? Porque eu não tive medo. Eu sempre enfrentei a vida. Quem não tem medo vai avante.”

"Não envelheci ainda. O dia que eu envelhecer eu falo"

Para falar das conquistas da população negra, a produção da Feira Preta exaltou a trajetória de personalidades como Maria Carolina de Jesus, Laudelina de Campos Melo, Luiz Gama, e a própria Elza, que abriu sua primeira apresentação oficial do evento com a releitura do hit “A Carne”: se antes, segundo a canção, a carne negra era a mais barata do mercado, em 2019 “Não Tá Mais de Graça” vira título de uma das principais faixas do álbum "Planeta Fome". Do alto do palco no Memorial da América Latina, a cantora provoca a plateia.

“Ainda estamos muito calados. Temos que fazer barulho em todos os lugares que estivermos. Estamos vivendo no Planeta Fome. Fome de saúde, de respeito, de amor.”

‘Elza perpassa o tempo’

Elza Soares e Adriana Barbosa, fundadora da Feira Preta

Elza Soares e Adriana Barbosa, fundadora da Feira Preta

Mônica Silva/Terra Produções

Para Adriana Barbosa, criadora do festival, a chegada da cantora à Feira Preta representa a consolidação de quase duas décadas do evento.

Líderes negras abalam as estruturas do racismo

“O tema de 2019 é passado, presente e futuro, mas Elza perpassa o tempo, desde a questão da ancestralidade à produção futurista. Nada mais justo do que contarmos a história dos 18 anos da Feira Preta com ela.”