Dietas 'Privação gera compulsão': por que comer pouco afeta o emocional

'Privação gera compulsão': por que comer pouco afeta o emocional

Psicóloga e nutricionista explicam quais são os riscos de uma dieta restritiva como a de Joaquin Phoenix, em Coringa

Porque comer pouco, como Joaquin Phoenix para 'Curinga', afeta o emocional

Porque comer pouco, como Joaquin Phoenix para 'Curinga', afeta o emocional

reprodução

Vinte e três quilos foram perdidos para que Joaquin Phoenix entrasse na pele – e ossos – do atormentado Arthur Fleck, o Coringa. Combinada à performance, a transformação física deve render ao ator uma indicação ao Oscar. Mas a entrega ao icônico personagem certamente não deixou Phoenix ileso, já que ele admitiu ao Access Hollywood que comer pouco o afetou psicologicamente.

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Segundo a psicóloga especialista em comportamento alimentar Bárbara Elisa Rodrigues, a restrição alimentar excessiva a longo prazo resulta em uma espécie de ‘privação emocional’. “Há uma constante frustração pela negação de diversos alimentos, afetando o humor do indivíduo e aumentando os níveis de stress e ansiedade.”

“Quando se realiza uma dieta restritiva há uma dificuldade em perceber os nossos sinais naturais de fome e saciedade, o que gera uma disfunção que pode estar associada ao descontrole alimentar e ao desenvolvimento de compulsões. ”

Em outras palavras, o resultado de se privar da alimentação a longo prazo é justamente não conseguir tirar a comida da cabeça. “Privação gera compulsão”, explica a nutricionista clínica, funcional e esportiva Gabriela Cilla, da Clínica NutriCilla.

“Quando restringimos a alimentação, o paciente fica muito mais instigado a comer. O carboidrato é a primeira coisa que as pessoas cortam, mas é nossa primeira fonte de energia primária. Isso causa fadiga mental, física, stress e aumento de fome. O corpo demora a se adaptar sem a primeira fonte. A longo prazo é insustentável. ”

Emagreceu ou perdeu peso?

De acordo com Gabriela, a dieta restritiva pode até resultar na perda de peso, mas fica difícil medir a qualidade do emagrecimento. “Bioquimicamente a primeira fonte que vai embora é a massa muscular. Não tem como a gente controlar o que vai embora primeiro”, explica a especialista, ressaltando que não é porque a balança marca vários quilos a menos que o nível de gordura corporal está adequado.

E não é só o corpo que pode sofrer com a dieta restritiva. Gabriela explica que o desenvolvimento cognitivo também pode ser prejudicado pela falta de uma alimentação adequada.

“Quando a gente tem estoque de glicogênio (glicose dentro do músculo) então ele vai queimar a carga de músculo. Mas isso também acontece através das nossas mitocôndrias, responsáveis pela nossa energia. Se não temos glicose nossas mitocôndrias não funcionam direito, então a função cognitiva vai ficar limitada. ”

Se você não pretende concorrer ao Oscar, a dieta Coringa pode não ser a melhor opção.